O que ando a beber...

Comente quais as suas cervejas preferidas, aquelas que menos gosta, as suas qualidades, defeitos e características.
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O que ando a beber...

Mensagempor bmxutos » quarta ago 23, 2006 23:54

Olá Forum!

Decidi criar esta entrada numa óptica de termos um local mais específico para falarmos das cervejas que vamos experimentando no nosso dia-a-dia. Digamos que é uma preparação para a futura secção que irá existir no site e cujo tema será a avaliação/classificação de cervejas. Infelizmente, essa página é algo complexa e ainda está numa fase embrionária, pelo que entretanto, e se o quiserem, deixem aqui os vossos comentários sobre as cervejas que andam a beber! :)

Abraço a todos,

Bruno
CervejasDoMundo.com


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Mensagempor bmxutos » quinta ago 24, 2006 0:19

Bom, tendo lançado o desafio, acho que me cabe a mim dar o exemplo! :wink:

Após o jantar, experimentei (pela 2ª vez) a Chapeau Banana da Brouwerij De Troch. De origem belga, esta lambic-fruit é, essencialmente, uma cerveja de sobremesa. E utilizo a palavra cerveja com uma certa relutância pois, se bem que os belgas têm grande cuidado na preparação das fruit beers e afins, este exemplar específico aproxima-se mais de uma "soft drink" do que propriamente de uma cerveja.

A garrafa de 25cl é pouco apelativa e o rótulo algo infantil. Bebi-a num copo tipo tumbler e o primeiro facto que se destaca é que, ao servi-la, já se está a sentir um forte cheiro a banana. A cor é um amarelo opaco e a espuma é pequena e efémera, algo de habitual neste tipo de cervejas. O aroma é dominado pela banana, bastante doce havendo, no entanto, algumas notas típicas das lambics. Quanto ao sabor....adivinharam: banana novamente. Curiosamente, apesar de algo artificial, não é enjoativo, o que permite apreciar a cerveja com relativa satisfação. No entanto, esta deve de estar bem fresca, caso contrário o doce pode tornar-se excessivo.

Conclusão: é uma cerveja "engraçada", que nos faz recordar os nossos tempos de infância mas só isso. Está bem longe das melhores lambics que se fazem na Bélgica. Sem qualquer tipo de sectarismo, parece-me uma bebida mais indicada para senhoras (pelo menos a minha namorada gostou bastante, pelo que lhe vou dar uns pontos extra)!

Aparência: 4/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 7/10
Total: 5,75/10

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Última edição por bmxutos em sábado ago 26, 2006 0:47, editado 1 vez no total.


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Escaravelho
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Kpenkoe 9: uma boa surpresa

Mensagempor Escaravelho » quinta ago 24, 2006 20:22

Viva.

Pois ontem experimentei uma lager russa: a Kpenkoe 9. Numa incursão pelo Intermarché, que não é propriamente conhecido pela variedade e qualidade de cerveja que vende, deparei com ela, em garrafas de 0,5 L a custarem cada 1,35 Euros. Nunca tinha provado nenhuma cerveja russa, e apesar de suspeitar que se trataria de apenas mais uma lager sem qualquer carácter especial, dei-lhe uma oportunidade, e trouxe uma garrafa. Na verdade, logo na altura, se tivesse reparado melhor na garrafa, poderia ter concluído que se calhar era uma cerveja um pouco diferente da lager corriqueira, dado o seu teor alcoólico: 8,0º.

Bebi-a à refeição, numa caneca (de vez em quando prefiro-a ao copo túlipa que normalmente é aconselhado para este tipo de cerveja) e, surpreendentemente, revelou-se uma excelente aposta. O seu aroma denota logo estarmos em presença de uma cerveja robusta, e não senti qualquer agressividade de álcool. Quanto à espuma, não merece elogios especiais. Relativamente ao travo, é encorpado, muito agradável e nada comum para o tipo de cerveja que é. Julgo que aqui o melaço de malte terá o seu papel, visto que, ao que sei, não faz parte dos ingredientes da lager normal, mas faz desta Kpenkoe. Resumidamente, uma boa surpresa :D


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Mensagempor mitos » sexta ago 25, 2006 10:43

ola amigo escaravelho

queria so acrescentar aqui uma coisita (nem lhe chamo correçao), q espero ajude

conheço (por motivos profissionais) mtos, mas nao todos, os intermarches. de facto a maioria tem uma secçao de cerveja fraquinha. existe uma mto honrosa excepçao q sugiro visites, sobretudo no verao qd a gama é maior: S. Domingos de Rana

tem uma variedade boa a preços decentes, algo entre um hipermercado normal e o el corte ingles

p.s. se tiver uma marca chti nem pensar em comprar, foi talvez das piores cervejas q ja bebi


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Mensagempor mitos » sexta ago 25, 2006 10:53

aplaudo viva/ esta secçao, excelente ideia

acho q a vou estrear, correndo o risco de fazer inveja aos meus companheiros de forum, com uma preciosidade q bebi ha umas semanas

foi talvez um dos meus tres melhores momentos cervejeiros da vida

uma Chimay Grand Reserve 1,5L (existe tb em garrafa de 33cl mas parece-me q nao é tao bom, ou se calhar foi sugestao)

muitos apreciadores consideram-na uma das melhores cervejas do mundo e a melhor trappista q se vende aopublico (mtas ediçoes so se vendem nas abadias). concordo com amos os títulos

em primeiro lugar vem o elan de abrir uma garrafa de 1,5L com rolha de cortiça semelhante ao champagne

em seguida a alegria de a poder partilhar com um grupo de 4/5 amigos e nao ficar cada um a olhar pra umas gotitas no fundo do copo

e depois é saborear um cerveja com uma cor linda, escura, enigmática, uma espuma densa e persistente

foi de facto das melhores coisas q já bebi. pra mim é clara/ um 9/10

só tem um defeito, nao é barata, mas justifica mto bem o q custa

p.s. pra quem quiser recomendo q a compre directa/ ao distribuidor cá, eu arranjo os contactos a quem quiser e se houver varios interessados ate posso tentar negociar um descontozito c ele ;-)


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Mensagempor Escaravelho » sexta ago 25, 2006 18:33

Mitos,

obrigado pela sugestão relativamente ao Intermarché. Aquele onde fui foi o de Peniche e julgo que em tempos já lá vi umas Leffe à venda, coisa que me espantou muito. Mas terá sido fortuito, pois pouco tempo depois já não havia e nunca mais houve. De toda a maneira, pelos vistos aparecem lá de vez em quando, pelo menos no Verão, umas coisinhas fora do normal.

Relativamente à compra directa ao distribuidor, parece-me uma boa ideia se de facto é possível e houver pessoal que alinhe nisso :D


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Singha

Mensagempor bmxutos » sábado ago 26, 2006 0:44

A eleita para esta noite foi a tailandesa Singha. Estas lager de origem asiática deixam-me sempre de pé atrás mas, num restaurante tailandês e com comida picante, até parece uma boa ideia!

Garrafa de 33cl, rótulo algo desinteressante. Cor dourada (algo esbatida), espuma branca e pouco pronunciada. O aroma é muito ténue, com ligeiras notas de lúpulo e pouco mais. Se o aroma é uma desilusão, então o que dizer do sabor? Aguada e banal, a pequena quantidade de malte não chega para lhe dar qualquer característica especial. A presença de gás, que poderia ajudar à sua melhor função que é a de refrescar, é quase nula. Do lado positivo... só posso referir que acompanha bem as comidas picantes. De facto, este tipo de comida deve ser acompanhada por uma cerveja que não deturpe os sabores do prato, pelo que estas lagers bem frescas acabam por ser a melhor solução. Outra pormenor que posso focar em favor desta cerveja é o facto de conseguir ser ligeiramente melhor do que a Tsing Tao, o que não quer dizer grande coisa.... :) . Finalmente, destaque para quuntidade de álcool (6% ABV), algo surpreendente numa cerveja deste tipo. E acho que não há muito mais a dizer. Apenas que o restaurante tailandês é bastante bom: BanThai, em Alcântara - Lisboa.

Aparência: 4/10
Aroma: 3/10
Sabor: 3/10
Palato: 4/10
Total: 3,5/10

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Mensagempor bmxutos » sábado ago 26, 2006 0:53

Amigo mitos,

de facto começou em grande: a Chimay Grand Réserve é uma senhora cerveja. Como referiu, para além do prazer que já é o aspecto da garrafa, a rolha e todos os outro pormenores, é mesmo o precioso líquido que mais se destaca. A que bebi mais recentemente era de apenas 0,75l, mas foi mais do que suficiente para convencer dois colegas meus que cerveja é muito mais que imperiais e afins! Já estou quase com saudades..... :P


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Mensagempor mitos » segunda ago 28, 2006 10:38

tb tenho la uma 0,75 pra abrir um dia destes (qd tiver companhia à altura ;-) )

a outra q abri foi pra convenver uns amigos meus q plo mm preço se bebe uma mto melhor cerveja do q um vinho (q eu tb adoro)

tipica/ os vinhos sao mais caros e uma cerveja premium é mto acessivel, o mal é andar sempre a comparar todas as cervejas c sagres e super bocks

em portugal facilmente se da 20 euros por uma garrafa de vinho mas acha-se q as cervejas devem custar todas 50 centimos no hiper :-(


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Mensagempor bmxutos » segunda ago 28, 2006 12:02

Caro mitos,

a argumentação que utiliza para convencer os seus amigos é exactamente igual à minha! :D eu costumo dizer o seguinte: "quanto é que terias que dar para beber o melhor vinho do mundo? Ou um dos 10 melhores? É quase inimaginável, não? Pois a melhor cerveja do mundo (pelo menos aquela que aparece com regularidade em nº 1 nos tops internacionais - a Westvleteren Abt 12) pode ser bebida por cerca de 4€. Ou seja, 33cl a 4€ faz com que 1 litro seja 12€. Um Casal Garcia no restaurante costuma ser mais caro....."

Aliás, esta teoria pode ser reforçada se alargarmos esta análise a outros produtos. Em quantos produtos poderemos dizer que já experimentámos um dos 10 ou 20 melhores do mundo? O 5º melhor queijo do mundo? O 8º melhor paté do mundo? o 2º melhor chocolate do mundo? Quem beber uma Chimay, uma Westmalle pode, com toda a certeza, dizer que já bebeu uma das melhores cervejas do mundo!


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Mensagempor beertruck » segunda ago 28, 2006 12:19

Na questão da relação qualidade/preço vinho vs. cerveja há um ponto (contra a cerveja) a ter em conta (falo por mim): com a mesma facilidade com que bebemos 1/2 garrafa de vinho (375ml) bebemos duas cervejas médias (660ml) ou uma de 750ml (tb tenho uma Chimay Grande Resèrve 750ml à espera da altura certa... eheheh).

Mas isso não podemos dizer a quem queremos convencer da qualidade da cerveja. Temos de os deixar ganhar o bichinho... e quando se aperceberem, já é tarde! :twisted:


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Mensagempor bmxutos » segunda ago 28, 2006 12:22

:D :D :D
Bom ponto de vista beertruck!

Abraço.


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Mensagempor beertruck » segunda ago 28, 2006 12:23

bmxutos Escreveu:... a Westvleteren Abt 12) pode ser bebida por cerca de 4€.


Compro!


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Re: Singha

Mensagempor beertruck » segunda ago 28, 2006 12:31

bmxutos Escreveu: Do lado positivo... só posso referir que acompanha bem as comidas picantes. De facto, este tipo de comida deve ser acompanhada por uma cerveja que não deturpe os sabores do prato, pelo que estas lagers bem frescas acabam por ser a melhor solução.

Concordo. Aliás, gosto deste tipo de cerveja para acompanhar comidas orientais de uma maneira geral. Normalmente é o que bebo a acompanhar comida japonesa e chinesa (sim, sei que são muito diferentes). E, a acompanhar comida indiana, até a Cobra marcha...


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Mensagempor bmxutos » quarta ago 30, 2006 0:45

Hoje a sobremesa foi umas fatias de queijo edam com bolachas da marca Carr's e uma Liefmans Gluhkriek.

Tinha grandes expectativas relativamente a esta cerveja, tendo em conta que é considerada uma das melhores Krieks do mercado. Mas a prova não confirmou a fama.

Garrafa de 25cl, rótulo verde com menção às cerejas, nada de excepcionalmente atraente.
Servida num copo tipo flute, revela-se uma cerveja quase sem espuma, de cor vermelho bastante escuro e com pouca presença de gás. Apesar das "fruit beers" não primarem pelo aspecto, estava à espera de algo mais, nomeadamente no que toca à consistência da espuma.
O aroma é agradável, doce e bastante forte, dominado pelas cerejas e por especiarias (algo como cravo-da-índia e canela).
Se a parte do aroma agrada, o mesmo não se pode dizer do sabor. Cerejas por todo o lado! E tal podia ser positivo, não fora um ligeiro toque a xarope género remédio que deixa um sabor desagradável após cada prova. Não me parece haver qualquer tipo de artificialidade no sabor mas aquela mistura entre as cerejas e especiarias não está totalmente conseguida.
O problema agrava-se com o decorrer do tempo e com o aumento da temperatura da cerveja. Torna-se tudo muito doce, enjoativa e algo pastosa.

Conclusão: é, com certeza, uma boa cerveja, mas especialmente indicada para quem gosta de cerejas e de bebidas doces. Para quem não gosta, deverá bebê-la bem fresca, o que contraria em parte a temperatura recomendada para este estilo.

Aparência: 4/10
Aroma: 6/10
Sabor: 4/10
Palato: 6/10
Total: 5/10

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Mensagempor bmxutos » quinta ago 31, 2006 23:29

Como consequência das sucessivas vagas de calor que nos têm vindo a assolar, este Verão foi particularmente positivo para a indústria da cerveja. Mais calor=mais vendas. Na minha modesta opinião, nada melhor para combater as altas temperaturas de que uma cerveja de trigo bem fresquinha, com aquele toque de limão e uma acidez natural.
Antes de passar à cerveja de hoje, devo confessar que prefiro as witbiers belgas às weissbiers ou weizenbiers alemãs. Acho que têm mais aroma e carácter. É uma opinião.

A eleita de hoje foi então a Blanche de Namur. Infelizmente, veio em garrafa de 25cl. Pouco, para quem tem que saborear uma cerveja e ao mesmo tempo matar a sede! Rótulo azul com letras estilizadas, garrafa normal.
Servida num copo tipo weizen, apresentou cor amarelo opaco com uma bonita espuma branca, algo efémera. O aroma é muito neutral, com notas de limão/laranja e alguma presença da típica levedura das witbiers (aliás, há partículas que são bem visíveis no fundo do copo).
O sabor é algo aguado e incaracterístico, com alguma presença de lima/limão e especiarias. Mais doce do que é habitual neste estilo, não deixa de ser uma cerveja extremamente refrescante apesar de insípida. À medida que aquece ganha algum sabor extra, notando-se maior presença do levedo, mas perde em capacidade de matar a sede.

Conclusão: fiquei algo desapontado com esta Blanche de Namur, pois tinha-me sido recomendada por um amigo e revelou-se uma witbier normal, algo monótona e sem profundidade. Se quiser uma boa witbier, continua a ser preferível pedir uma Hoegaarden!

Aparência: 6/10
Aroma: 4/10
Sabor: 4/10
Palato: 4/10
Total: 4,5/10

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Zhujiang Beer 12º

Mensagempor bmxutos » domingo set 03, 2006 15:01

Apareceu recentemente em alguns hiper/supermercados portugueses a Zhujiang Beer 12º, uma cerveja de origem chinesa da Zhujiang Brewery Co. Pela experiência que tenho de cervejas deste país, a expectativa era baixa. E por aí ficou!
Garrafa de 33cl. Garrafa e rótulo normais. Apesar de não ter sido a pior cerveja que já experimentei (esse título continua a pertencer à Miller Genuine Draft), confesso que andou bem perto! Cor dourada com uma bonita espuma branca que, no entanto, rapidamente se desvaneceu, deixando o líquido à mercê do ar e da oxidação. Muito viva inicialmente, também esse carácter desaparece após os primeiros (poucos) minutos.
O aroma é dominado pelo lúpulo mas principalmente pelo arroz que acompanha esta cerveja em todas as suas vertentes, tornando-a algo doce e incaracterística. Pelo menos, louve-se a empresa que admite nos ingredientes da cerveja, a utilização deste cereal. Muitas outras há que apenas referem malte de cevada e lúpulo deixando um grande ponto de interrogação quando se referem a cereais não maltadas (geralmente milho e arroz). Esta Zhukiang utiliza arroz e pronto! Ficamos esclarecidos.
Como seria de esperar, o sabor é aguado e insípido. onde se esperaria encontrar lúpulo e algum amargor, sobra-nos notas metálicas e açucar.

Conclusão: ainda não foi desta que alterei o meu pensamento relativamente às lagers de origem asiática. Digamos que a Zhujiang 12º não é pior que a Tsing Tao ou a Asahi. Boa para matar a sede mas, de outro modo, completamente desinteressante. Sofrível.

Aparência: 4/10
Aroma: 4/10
Sabor: 2/10
Palato: 4/10
Total: 3,5/10

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Mensagempor mitos » segunda set 04, 2006 11:03

dois comentarios a mais esta prova do bruno

1. todas as cervejas asiaticas (e mtas das europeias) levam arroz. é mais barato, mais comum e o comum dos mortais nao o detecta em pequenas quantidades. umas dizem, outras nao, mas todas levam

nota: outro dia estive c um expert de cerveja norte americano e estivemos a beber as cervejas portuguesas. ele garantiu-me a pes juntos q as nossas sagres e super bock tb levam arroz, disse-me isso so pla prova q fez pq nao sabe nada das nossas cervejeiras. tb sei q por ex a heinecken leva arroz

2. uma cerveja asiatica com 12º deve fazer mais vitimas por la q os furacoes, cheira-me q deve haver por ai algum alcool adicionado


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Mensagempor bmxutos » segunda set 04, 2006 11:27

Caro mitos,

por acaso não tenho aqui nenhuma à mão mas quase de ceretza que a Sagres e a Super bock referem nos seus ingredientes a utilização de cereais não maltados. Na minha óptica, isso só pode querer dizer utilização de arroz ou milho. Portanto, o seu amigo deve ter razão.

A referência 12º da Zhujiang não é em relação ao álcool (este é apenas de 5,3%). Para além desta a empresa comercializa a 8º, 10º e 11º. Presumo que seja o mesmo sistema que utilizam na Rep. Checa, onde as cervejas se chamam, por exemplo, Staropramen 10º ou Staropramen 12º, o que significa o método utilizado pela empresa e a percentagem de lúpulo utilizado na elaboração da cerveja. Não sei se será o mesmo sistema mas álcool posso assegurar-lhe que não é! era tz um pouco demais para os nossos amiogos chineses! 8)
Última edição por bmxutos em segunda set 04, 2006 11:31, editado 1 vez no total.


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Mensagempor mitos » segunda set 04, 2006 11:30

obrigado pla explicaçao, ja aprendi mais uma coisa acerca de cerveja :-)

tb me estava a parecer estranho 12º, sobretudo na asia, mas nunca se sabe


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Mensagempor beertruck » segunda set 04, 2006 15:32

Os meus "5 cents" na questão dos números/graus levantada nos posts sobre a Zhujianbg (atenção, não sou minimamente perito nestas questões científicas).

Nem sempre os números que aparecem nos rótulos se referem à graduação alcoólica (pelo menos à %ABV, ou Alcoól By Volume, ou percentagem do alcoól no peso total), apesar de muitas vezes parecer que sim.

Alguns exemplos de que me lembro, em que a numerção na designação da cerveja corresponde, de facto, à % ABV: Maredsous 6, 8 e 12 e Kasteelbier Blonde 11%.

Mas já noutras cervejas belgas, como as Rochefort 6, 8 e 10 e Westvleteren 6, 8 e 12, esta numeração corresponde a outra medida que, se não me engano, será uma tal de "original gravity". Creio que tem alguma coisa a ver com alcoól, mas não o alcoól que está presente na bebida final que é posta à venda (talvez, digo eu, seja o alcoól medido numa fase intermédia de produção - já li qq coisa sobre isso mas não me lembro bem). Por curiosidade, nas cervejas acima referidas, a %ABV é, respectivamente, 7.5, 9.2, 11.3, 6.2, 8.0 e 10.2. (Não tenho explicação para o facto de as Rochefort terem uma %ABV superior ao número da respectiva designação e nas Westvleteren acontecer o contrário.)

Um outro tipo de numeração/graduação que já tb já vi e que pode corresponder ao utilizado na classificação desta Zhujiang é o da Castle (Schloss) Eggenberg Urbock 23º. Na realidade esta cerveja não tem 23% ABV mas "apenas" 9.6%. Os 23º correspondem a uma tal de "gravity" (imagino que se traduza por gravidade) medida em "graus PLATO" (mais uma vez, não me perguntem o que significa).

No fundo, creio que tudo são formas de medir a "força" das cervejas (não escrevo "medir o alcoól" porque se calhar não seria 100% correcto; "força" sempre é uma palavra mais vaga e com menos risco de erro). Não são é directamente comparáveis.


PS: Isto são tudo coisas que já li em qualquer lado mas que não tenho muito presentes (a idade não perdoa). Se voltar a "cruzar-me" com elas algures na net, deixo-vos aqui os links.


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Mensagempor beertruck » segunda set 04, 2006 15:36

bmxutos Escreveu:por acaso não tenho aqui nenhuma à mão mas quase de ceretza que a Sagres e a Super bock referem nos seus ingredientes a utilização de cereais não maltados. Na minha óptica, isso só pode querer dizer utilização de arroz ou milho. Portanto, o seu amigo deve ter razão.


Também já reparei que muitas cervejas referem os tais "cereais não maltados" mas sempre pensei que se estivessem a referir a (pelo menos na maior parte dos casos) a cevada ou mesmo trigo não maltados.


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Mensagempor chimay » segunda set 04, 2006 17:47

Apesar de ser em inglês, encontrei este texto que acrescenta mais alguma coisa à explicação do beertruck:

10%, 11%, 12%, etc. - On a beer label, this does not necessarily mean alcohol. In many countries, the % sign denotes degrees Plato (literally, the percentage of unfermentable matter in the wort). The alcohol, however, will be specifically listed somewhere on the label


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Mensagempor chimay » segunda set 04, 2006 17:53

bmxutos Escreveu:
por acaso não tenho aqui nenhuma à mão mas quase de ceretza que a Sagres e a Super bock referem nos seus ingredientes a utilização de cereais não maltados. Na minha óptica, isso só pode querer dizer utilização de arroz ou milho. Portanto, o seu amigo deve ter razão.



Concordo com o bmxutos. Quando as empresas se referem a cereais não maltados é porque já lá misturaram milho ou arroz. Tiro e queda. :shock:


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Mensagempor bmxutos » terça set 05, 2006 1:42

A escolha para hoje recaiu na Bière du Démon da Les Brasseurs de Gayant. Confesso que não foi uma boa escolha pelo que a avaliação final da cerveja até pode ter ficado um bocado penalizada. Com um calor destes, uma cerveja de 12% de álcool não é a melhor opção. Enfim, agora já está não vale a pena carpir mágoas.

De origem francesa, esta cerveja vem no seguimento de muitas outras que apostam no alto grau de álcool para se destacarem. Também comum é associarem estas cervejas fortes à figura do diabo (digamos que é um estilo diabólico perante o efeito que provoca nas pessoas :mrgreen: ), como se constata pelos vários exemplares que apresentam nomes sugestivos: Judas, Duvel, Duivel's, Satan, Lucifer, Belzebuth e por aí fora. De notar que, nas marcas atrás enumeradas, há estilos diferentes e qualidade muito variada. A única coisa que se mantem é a alta % de álcool.

Esta Bière du Demon, do estilo European Strong Lager, vinha numa garrafa de 33cl, com um rótulo onde se pode ver a figura de um diabo... Destaca-se também a seguinte frase: "La biere blonde la plus forte du monde"! Bom, como bem sabemos isto não é bem verdade. Mas deixá-los lá vender o peixe deles!

Servida num copo tipo pilsner, revela-se uma cerveja bastante límpida, de cor dourada, algo carbonatada e com uma bonita espuma branca que resistiu mais do que aquilo que eu esperava. O aroma é bastante neutral e monótono, com alguma presença de malte e grande destaque do álcool. O sabor apresenta alguma falta de complexidade, até porque o álcool mascara tudo o resto que pudesse existir. Apenas notei um pouco de malte e umas notas bem doces, próximas do mel, o que agrava ainda mais o sabor já algo pesado desta cerveja. Apesar de tudo não é completamente desagradável.

Conclusão: se estiverem à procura de emoções fortes (leia-se cerveja com alto teor de álcool), talvez seja aconselhado optarem pela Duvel ou então por uma das minhas cervejas preferidas: a Bush Ambrée. Quanto à Bière du Demon é uma cerveja decente mas pouco equilibrada.

Aparência: 6/10
Aroma: 5/10
Sabor: 6/10
Palato: 6/10
Total: 5,75/10

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Mensagempor bmxutos » terça set 05, 2006 1:47

beertruck Escreveu:Alguns exemplos de que me lembro, em que a numerção na designação da cerveja corresponde, de facto, à % ABV: Maredsous 6, 8 e 12 e Kasteelbier Blonde 11%.

Mas já noutras cervejas belgas, como as Rochefort 6, 8 e 10 e Westvleteren 6, 8 e 12, esta numeração corresponde a outra medida que, se não me engano, será uma tal de "original gravity". Creio que tem alguma coisa a ver com alcoól, mas não o alcoól que está presente na bebida final que é posta à venda (talvez, digo eu, seja o alcoól medido numa fase intermédia de produção - já li qq coisa sobre isso mas não me lembro bem). Por curiosidade, nas cervejas acima referidas, a %ABV é, respectivamente, 7.5, 9.2, 11.3, 6.2, 8.0 e 10.2. (Não tenho explicação para o facto de as Rochefort terem uma %ABV superior ao número da respectiva designação e nas Westvleteren acontecer o contrário.)

Um outro tipo de numeração/graduação que já tb já vi e que pode corresponder ao utilizado na classificação desta Zhujiang é o da Castle (Schloss) Eggenberg Urbock 23º. Na realidade esta cerveja não tem 23% ABV mas "apenas" 9.6%. Os 23º correspondem a uma tal de "gravity" (imagino que se traduza por gravidade) medida em "graus PLATO" (mais uma vez, não me perguntem o que significa).



Excelente explicação beertruck. esta não é uma matéria fácil de explicar e para a qual tenho poucas certezas absolutas.
Se sempre encontrar os tais links, nós (pelo menos eu :wink: ) agradecemos.


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bmxutos
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Moinette Blonde

Mensagempor bmxutos » sexta set 08, 2006 1:15

Voltei hoje a experimentar a Moinette Blonde. e, tal como da primeira vez, a realidade ficou ligeiramente abaixo das expectativas. Devo frisar que se trata de uma excelente cerveja mas, sendo o porta estandarte da Dupont, estava à espera de um bocadinho mais. Aliás, não sei se até agora tive azar ou se o estilo da companhia não se adapta ao meu palato mas as Dupont's que já experimentei, como por exemplo a Biere de Miel ou a Saison Vieille Provision, deixaram-me sempre um pouco desiludido, tendo em conta que esta cervejaria é uma das mais conceituadas da Bélgica!

Adiante! Garrafa de 33cl, rótulo amarelo e sóbrio. Servi-a num copo da trapista Chimay, apesar de um copo em tulipa talvez tivesse sido uma melhor opção. Ao estilo de uma Tripel, esta cerveja tem 8,5% ABV, ou seja, não é para brincadeiras!
De cor dourada, a fugir para o laranja, apresentou uma linda e cremosa espuma branca, extremamente estável e consistente. A Moinette é uma cerveja muito viva e que apresenta, habitualmente (pelo menos aconteceu-me das duas vezes), bastante sedimento, o que em nada afecta o sabor e características do produto.
O aroma é bem agradável, com notas de frutos (maioritariamente limão) e ervas, bastante refrescante mesmo que algo adocicado.
O sabor é tendencialmente amargo e bastante complexo, com presença de especiarias e lúpulo, sendo que a levedura utilizada também deixa as suas marcas. Apesar de tudo, há uma certa falta de equlíbrio geral, ja que se trata de uma cerveja algo agressiva, bastente amarga desde início e com um fim muito seco. Nem mesmo o aumento da temperatura da cerveja lhe doma o espírito. Acaba por ser um pouco demais para mim, que costumo gostar de coisas como a Bush Ambrée ou a Triple Karmeliet...

Conclusão: lá por ter ficado ligeiramente desapontado, esta continua a ser uma cerveja bastante boa, profunda e complexa e com um aroma que compensa a aspereza do sabor. Apesar de tudo, acho que não volto à Moinette tão depressa....

Aparência: 8/10
Aroma: 7/10
Sabor: 6/10
Palato: 7/10
Total: 7/10

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beertruck
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Mensagempor beertruck » sexta set 08, 2006 9:17

Por coincidência, ontem também bebi uma Tripel belga: a De Koninck.
Gostei bastante, mas se não estivesse escrito no rótulo, não a identificaria como uma Tripel. Achei-a bastante diferente das outras tripel que já bebi: Chimay Branca, Maredsous, Tripel Karmeliet, Affligem... A côr era acobreada e menos turva que o habitual e a espuma menos abundante. No sabor a maior diferença: não se notava qualquer sabor a citrinos e especiarias típicos nas tripel. O sabor era mais caramelisado e o não era amargo como nessa descrição da Moinette. Apesar de diferente das outras tripel que conheço (e conheço poucas) nem por isso é uma cerveja pior. Apenas diferente. Recomendo.


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bmxutos
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Mensagempor bmxutos » segunda set 11, 2006 10:27

De facto, a De Koninck Tripel é bem diferente da maior parte das tripels de origem belga. Como diz, e bem, o beertruck, não só a cor como o sabor são algo diferentes do que estamos habituados. Tal faz com que eu não seja um grande admirador desta cerveja, independentemente de lhe reconhecer qualidades.
Na gama da Koninck, a que mais gostei foi a De Koninck Excelsior que experimentei, "on tap", na Holanda. Nunca mais vi essa cerveja e nem sei se ainda a comercializam.


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Mensagempor bmxutos » terça set 12, 2006 23:36

A escolha de hoje foi a Grimbergen Optimo Bruno. Esta excelente Belgian Strong Ale é um magnífico exemplo de como uma grande companhia como a Alken Maes/Scottish & Newcastle pode elaborar cervejas de grande qualidade. Aliás, para além das Grimbergen, a companhia também produz as bem conhecidas Judas, Hapkin, Ciney e a Blanche de Bruges, entre outras.

Sob o nome Grimbergen podemos encontrar 5 ou 6 cervejas diferentes, desde a Cuvée de l'Ermitage até à Blonde, a Roussa ou a Tripel. Das que já experimentei não tenho dúvidas em afirmar que a Optimo Bruno é a melhor da gama. E não pensem que é por ter o meu nome! :)

Vamos lá à cerveja! Garrafa de 33cl com um típico rótulo à la Grimbergen. Cor muito bonita, entre o âmbar e o vermelho, com uma espuma beige bem significativa e duradoura, que vai deixando um bonito laço no copo ao longo da prova.
O aroma, apesar de bom, é talvez a parte menos conseguida dsta cerveja, com presença de malte, caramelo e algum álcool, nada verdadeiramente intenso.
O contrário se passa com o sabor, forte, personalizado e complexo. Destaca-se logo o malte e o caramelo, bem secundados por notas de frutos secos, nomeadamente passas, o que lhe transmite um carácter frutado. O álcool está sempre presente mas encontra-se muito bem burilado e envolvido nos restantes sabores. Aliás, poucas cervejas com 10% ABV parecem tão inofensivas como esta Grimbergen. O que acaba por ser um engano quando nos levantamos.... :)
Esta cerveja facilmente entraria na gama da fabulosas se tivesse um pouco mais de amargor e um final ligeiramente seco e frutado. Assim, é apenas uma grande cerveja.

Conclusão: a melhor aposta da família Grimbergen e uma excelente opção para os consumidores portugueses que, com mais ou menos dificuldade, conseguem encontrar esta cerveja em algumas lojas do país. Muito carácter e forte presença fazem desta cerveja uma excelente companhia para as noites de Outono que se avizinham. no entanto, não se deixem enganar pelo sua envolvência dócil e açucarada: a Optimo Bruno "isn't for the faint of heart!".

Aparência: 9/10
Aroma: 7/10
Sabor: 8/10
Palato: 8/10
Total: 8/10

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