O que ando a beber...

Comente quais as suas cervejas preferidas, aquelas que menos gosta, as suas qualidades, defeitos e características.
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Rasec
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Mensagempor Rasec » sábado mai 19, 2007 11:57

emsfc Escreveu:
Rasec Escreveu:Bem, não existe uma única resposta,

- uma cerveja feita sob licença nunca é a mesma coisa que o produto original feita na fábrica original com a água original e equipamento.

- uma cerveja em barril é normalmente sempre melhor que a sua equivalente em garrafa e por sua vez na lata. Tem a ver com fenómenos de oxidação e de protecção do produto. A luz, o calor, a agitação, tudo isso contribui para estragar completamente uma cerveja...

e podem haver outros motivos...


A legislação de cada país para onde é exportada a cerveja, também não poderá ser uma explicação? Digo isto, porque eu tenho a ideia que, à semelhança do que acontece nos vinhos, quando se produz uma cerveja para exportar se tem que ter em atenção a legislação relativa à cerveja do país para onde estamos a exportar o produto, ou seja, se estou a produzir uma cerveja para exportar para o Japão, tenho que ter em conta a legislação deles em relação a teores alcoolicos, extracto, côr, etc... E está claro que a variação destes parâmetros influenciam em muito as características do produto.
Em relação à cerveja de barril, sempre tive a noção de que esta era de menor qualidade que a cerveja de garrafa. Mas desde que comecei a estagiar, reparei que a cerveja de barril é exactamente igual à cerveja de garrafa, variando apenas a quantidade de CO2. Portanto esta diferença de qualidade só se pode dever a fenómenos degradativos que ocorram durante o armazenamento.



Dificilmente, principalmente dentro do mercado europeu, as regras são mais ou menos todas semelhantes... Não conheço nenhum caso de nenhuma cerveja que altere drasticamente a sua formula tendo em conta o país de destino... seria trair a marca de forma muito pouco lógica.


Quanto à cerveja de barril versus garrafa, há muita gente em Portugal que pensa como tu, ou seja, que a cerveja de barril é pior ou de pior qualidade, isso tem essencialmente a ver com a baixa qualidade dos cafés em Portugal, que não cumprem prazos de validade, não tomam em atenção as necessárias limpezas do circuito por onde a cerveja passa do barril até à bica, na falta de limpeza dos copos etc.. e claro isso ressente-se no produto! As pessoas começam a pedir mais cerveja de garrafa em vez da de barril, a cerveja passa mais tempo no barril sem ser consumida, fica ainda pior... ou seja, é um ciclo vicioso!


Agora, e isto é muito importante e aposto que na Alhambra se passa exactamente a mesma coisa, a cerveja de garrafa é normalmente pasteurizada em túnel, ou seja, passa um longo periodo de tempo a sofrer um processo de tratamento por calor. A cerveja é cheia na garrafa e pasteurizada depois. Quanto á cerveja de barril, é pasteurizada em Flash, ou seja, sofre um tratamento por calor muito rápido e incisivo, e só depois é cheia no barril. Esta diferença no tratamento por calor faz muita diferença, e em alguns tipos de cervejas especiais (principalmente as mais aromáticas) nota-se ainda mais! Logo por aqui se percebe qual delas será melhor... mas há mais!


Se tivermos em conta que após enchimento, as cervejas em garrafa têm normalmente 9 meses em média de tempo de vida útil, a sofrer transportes sucessivos, a serem guardadas à luz, ao sol, às variações de temperatura, nas prateleiras dos supermercados à luz, etc etc.. e se tivermos em conta que o barril tem normalmente 2 meses de tempo de vida máximo, que a cerveja está protegida da luz e dos elementos, sofre muito menos transportes, etc., podes tirar as tuas conclusões!


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Mensagempor VicMaP » sábado mai 19, 2007 12:39

Também me parece que as leis de cada país não deverá interferir na composição importada. E que a não ser assim a cerveja A, sujeita a alterações na sua composição para se adaptar à legislação do país de destino, deixaria de se chamar A para se passar a chamar B, não é?

Quanto á explicação do Rasec, sobre as diferenças de tratamento na cerveja de barril e de copo, está muito bem fundamentada e não deixará lugar a mais dúvidas, nomeadamente da minha parte :D

Vic


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Mensagempor emsfc » sábado mai 19, 2007 19:04

Rasec Escreveu:
emsfc Escreveu:
Rasec Escreveu:Bem, não existe uma única resposta,

- uma cerveja feita sob licença nunca é a mesma coisa que o produto original feita na fábrica original com a água original e equipamento.

- uma cerveja em barril é normalmente sempre melhor que a sua equivalente em garrafa e por sua vez na lata. Tem a ver com fenómenos de oxidação e de protecção do produto. A luz, o calor, a agitação, tudo isso contribui para estragar completamente uma cerveja...

e podem haver outros motivos...


A legislação de cada país para onde é exportada a cerveja, também não poderá ser uma explicação? Digo isto, porque eu tenho a ideia que, à semelhança do que acontece nos vinhos, quando se produz uma cerveja para exportar se tem que ter em atenção a legislação relativa à cerveja do país para onde estamos a exportar o produto, ou seja, se estou a produzir uma cerveja para exportar para o Japão, tenho que ter em conta a legislação deles em relação a teores alcoolicos, extracto, côr, etc... E está claro que a variação destes parâmetros influenciam em muito as características do produto.
Em relação à cerveja de barril, sempre tive a noção de que esta era de menor qualidade que a cerveja de garrafa. Mas desde que comecei a estagiar, reparei que a cerveja de barril é exactamente igual à cerveja de garrafa, variando apenas a quantidade de CO2. Portanto esta diferença de qualidade só se pode dever a fenómenos degradativos que ocorram durante o armazenamento.



Dificilmente, principalmente dentro do mercado europeu, as regras são mais ou menos todas semelhantes... Não conheço nenhum caso de nenhuma cerveja que altere drasticamente a sua formula tendo em conta o país de destino... seria trair a marca de forma muito pouco lógica.


Quanto à cerveja de barril versus garrafa, há muita gente em Portugal que pensa como tu, ou seja, que a cerveja de barril é pior ou de pior qualidade, isso tem essencialmente a ver com a baixa qualidade dos cafés em Portugal, que não cumprem prazos de validade, não tomam em atenção as necessárias limpezas do circuito por onde a cerveja passa do barril até à bica, na falta de limpeza dos copos etc.. e claro isso ressente-se no produto! As pessoas começam a pedir mais cerveja de garrafa em vez da de barril, a cerveja passa mais tempo no barril sem ser consumida, fica ainda pior... ou seja, é um ciclo vicioso!


Agora, e isto é muito importante e aposto que na Alhambra se passa exactamente a mesma coisa, a cerveja de garrafa é normalmente pasteurizada em túnel, ou seja, passa um longo periodo de tempo a sofrer um processo de tratamento por calor. A cerveja é cheia na garrafa e pasteurizada depois. Quanto á cerveja de barril, é pasteurizada em Flash, ou seja, sofre um tratamento por calor muito rápido e incisivo, e só depois é cheia no barril. Esta diferença no tratamento por calor faz muita diferença, e em alguns tipos de cervejas especiais (principalmente as mais aromáticas) nota-se ainda mais! Logo por aqui se percebe qual delas será melhor... mas há mais!


Se tivermos em conta que após enchimento, as cervejas em garrafa têm normalmente 9 meses em média de tempo de vida útil, a sofrer transportes sucessivos, a serem guardadas à luz, ao sol, às variações de temperatura, nas prateleiras dos supermercados à luz, etc etc.. e se tivermos em conta que o barril tem normalmente 2 meses de tempo de vida máximo, que a cerveja está protegida da luz e dos elementos, sofre muito menos transportes, etc., podes tirar as tuas conclusões!


Completamente esclarecido. É bom haver pessoas aqui no fórum que realmente percebem disto. E assim aproveito e aprendo mais um pouco.


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Mensagempor bmxutos » sábado mai 19, 2007 19:05

Rasec Escreveu: Dificilmente, principalmente dentro do mercado europeu, as regras são mais ou menos todas semelhantes... Não conheço nenhum caso de nenhuma cerveja que altere drasticamente a sua formula tendo em conta o país de destino... seria trair a marca de forma muito pouco lógica.


Quanto à cerveja de barril versus garrafa, há muita gente em Portugal que pensa como tu, ou seja, que a cerveja de barril é pior ou de pior qualidade, isso tem essencialmente a ver com a baixa qualidade dos cafés em Portugal, que não cumprem prazos de validade, não tomam em atenção as necessárias limpezas do circuito por onde a cerveja passa do barril até à bica, na falta de limpeza dos copos etc.. e claro isso ressente-se no produto! As pessoas começam a pedir mais cerveja de garrafa em vez da de barril, a cerveja passa mais tempo no barril sem ser consumida, fica ainda pior... ou seja, é um ciclo vicioso!


Agora, e isto é muito importante e aposto que na Alhambra se passa exactamente a mesma coisa, a cerveja de garrafa é normalmente pasteurizada em túnel, ou seja, passa um longo periodo de tempo a sofrer um processo de tratamento por calor. A cerveja é cheia na garrafa e pasteurizada depois. Quanto á cerveja de barril, é pasteurizada em Flash, ou seja, sofre um tratamento por calor muito rápido e incisivo, e só depois é cheia no barril. Esta diferença no tratamento por calor faz muita diferença, e em alguns tipos de cervejas especiais (principalmente as mais aromáticas) nota-se ainda mais! Logo por aqui se percebe qual delas será melhor... mas há mais!


Se tivermos em conta que após enchimento, as cervejas em garrafa têm normalmente 9 meses em média de tempo de vida útil, a sofrer transportes sucessivos, a serem guardadas à luz, ao sol, às variações de temperatura, nas prateleiras dos supermercados à luz, etc etc.. e se tivermos em conta que o barril tem normalmente 2 meses de tempo de vida máximo, que a cerveja está protegida da luz e dos elementos, sofre muito menos transportes, etc., podes tirar as tuas conclusões!


Aqui está um excelente tema e uma óptima "discussão", que marca o regresso do Rasec às suas deliciosas explicações, assim como asssinala o seu post 175, ou seja, mais um Beer Expert! E, tal como o anterior membro a ostentar este título (o ptlsousa), cai-lhe como uma luva! -)00

Em relação à diferença de uma cerveja de uma determinada marca de país para país, estou com a maioria isto é, muito dificilmente uma empresa produz uma cerveja para um lado e, mantendo a marca, produz outra completamente diferente para outro. Como já aqui foi mencionado, o que pode acontecer é que as viagens e todas as aventuras e desventuras por que passa uma cerveja até chegar ao país de destino, lhe alterem as características, fazendo com que o produto final seja de qualidade inferior a uma cerveja idêntica à que é bebida no país de origem.

Todavia, há que ter em atenção que uma mesma cerveja, com um mesmo nome, pode ser produzida em diferentes países e o resultado ser bastante diferente. O caso mais típico é o da Guinness, nomeadamente a Foreign Extra Stout. Sob este nome, esta cerveja é produzida na Bélgica, Nigéria, Jamaica, etc. E, segundo parece, a nigeriana é de excelente qualidade e particularmente diferente da caribenha. Esta escepção não deixa de confirmar a regra que uma determinada marca de cerveja deve saber o mesmo aqui como na Indochina. É claro que a nossa predisposição, a forma como é tirada/servida e muitos outros factores podem condicionar a nossa apreciação sobre uma cerveja. Por exemplo, tenho um amigo que também gosta de apreciar cerveja e que, apesar de não ser um garnde conhecedor, consegue perceber que a Corona é um produto de baixa qualidade. No entanto, costuma dizer-me que no meio do deserto mexicano, a comer uma enchilada e a ouvir um mariachi, não há nada que bata uma Corona com uma rodela de limão!!! E eu acabo por perceber o que ele quer dizer... 8)

Abraço,


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Mensagempor emsfc » domingo mai 20, 2007 9:11

Eu quando falava em alterações nas características da cerveja para exportação, não me estava a referir a alterações drásticas que levassem a produtos completamente diferentes. Nem isso pode estar em causa, já que acima de tudo está a reputação de uma marca, e se eu bebo uma Murphy's em Espanha, quero que ela tenha as mesmas características que a que bebo em Portugal.
Mas ligeiras variações no extracto, no teor alcoólico e no nível de carbonatação alteram as características da cerveja. Claro que podem ser alterações mínimas, mas que aliadas à deficiente manipulação durante o transporte e armazenamento, entre outros factores, levam a alterações indesejáveis nos produtos. E quem sofre com isto são as marcas...


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Mensagempor ptlsousa » domingo mai 20, 2007 11:30

Não sei se alguém reparou que a qualidade da maior parte dos refrigerantes (de marcas conhecidas) varia de país para país!
Eu não sou um bebedor nato dessas bebidas mas acredito que acontece o mesmo que com a cerveja...

Vendo bem, uma fábrica que compra a licença de produção da Guinness vai ter de a produzir com a sua "receita" original e com ingredientes muito diferente dos óptimos.

Digo eu!


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Mensagempor VicMaP » domingo mai 20, 2007 22:46

ptlsousa Escreveu:Não sei se alguém reparou que a qualidade da maior parte dos refrigerantes (de marcas conhecidas) varia de país para país!
Eu não sou um bebedor nato dessas bebidas mas acredito que acontece o mesmo que com a cerveja...

Vendo bem, uma fábrica que compra a licença de produção da Guinness vai ter de a produzir com a sua "receita" original e com ingredientes muito diferente dos óptimos.

Digo eu!

Ora aí está uma explicação plausível para eu não morrer de amores pela Guinness :D


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Mensagempor mitos » segunda mai 21, 2007 14:11

entendidas estas explicaçoes dos nossos homens do processo eis q chega o gajo do marketing :-)

a somar a tudo o q disseram, sobre receitas "originais", ingeredientes disponiveis, variações no processo e uma catrefada de etc's há a somar q os gostos dos consumidores são realmente diferentes e q portanto fará todo o sentido "adaptar" os produtos aos mercados (mantendo as marcas, claaaro)

este facto é patente, e facilmente identificavel, nas mega brands globais, de q a heineken talvez seja o melhor exemplo ao ponto de por exemplo na tailandia existirem as duas versoes (holandesa e asiatica, com mais arroz) e serem vendidas a prteços diferentes

como os mercados nao vivem de experts como nós faz todo o sentido proceder desta forma

como referem a guinness é tb daquelas cervejas com maiores variaçoes, e por acaso eu q nem sou grande apreciador, nao sei bem de qual gosto mais


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Mensagempor emsfc » quarta mai 23, 2007 16:24

A minha última ida ao El Corte Inglés resultou nisto. Pode-se dizer que a culpa é do nosso amigo Vic, porque vi lá a Grimbergen tão elogiada por ele no primeiro post do seu blogue. E para que umas não se ficassem a rir das outras, resolvi trazer logo a família completa para poder compará-las...
Peço desculpa por não deixar nenhuma "nota de prova", mas os meus conhecimentos nesta área ainda não me permitem sequer tentar caracterisar uma cerveja. Antes de as beber, gosto sempre de fazer uma pesquisa para saber o que os outros acham, para ver se consigo realmente descortinar alguns dos sabores de que falam.

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Mensagempor VicMaP » quarta mai 23, 2007 19:03

emsfc Escreveu:A minha última ida ao El Corte Inglés resultou nisto. Pode-se dizer que a culpa é do nosso amigo Vic, porque vi lá a Grimbergen tão elogiada por ele no primeiro post do seu blogue. E para que umas não se ficassem a rir das outras, resolvi trazer logo a família completa para poder compará-las...
Peço desculpa por não deixar nenhuma "nota de prova", mas os meus conhecimentos nesta área ainda não me permitem sequer tentar caracterisar uma cerveja. Antes de as beber, gosto sempre de fazer uma pesquisa para saber o que os outros acham, para ver se consigo realmente descortinar alguns dos sabores de que falam.

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Boas escolhas. Só falta a Tripple. Sem dúvida que a minha preferida é a Cuvée de l'Ermitage, que por acaso é a mais recente deles. Muito boa mesmo, ao nível das melhores Ales Belgas, apesar de ser fabricada numa grande cervejeira.
Boas provas :D


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Mensagempor bmxutos » quarta mai 23, 2007 23:33

Não tem nada a ver com o nome mas gosto especialmente da Optimo Bruno. Uma grande cerveja!

E, tal como acontece com, por exemplo, a Hoegaarden, que é produzida pela Inbev, estas Grimbergen pertencem ao gigante Scottish & Newcastle, o que demonstra que as grandes produtoras não se "esqueceram" de como produzir boas cervejas. É mais porque não lhes convém...


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Mensagempor bmxutos » domingo mai 27, 2007 0:14

Fim-de-semana. Altura para acabar com as "experiências" e beber algo que tenho a certeza que me satisfaça. E a sacrificada foi uma Affligem Triple!!!

Garrafa de 33cl, rótulo bem característico e algo confundível com as outras Affligem, nomeadamente a Dubbel e a Blonde. Não há contra-rótulo mas o rótulo em si é bastante alongado e informativo. Refere o tipo de copo (estilo cálice) e a temperatura a que deve ser servida (entre 8-10º C). Menciona-se também uma medalha de ouro conquistada em 2004 na categoria das Belgian Triple. Talvez por isso, a descrição comercial diz o seguinte: "The king of the abbey beers. It is amber-gold and pours with a deep head and original aroma, delivering a complex, full bodied flavour. Pure enjoyment! Secondary fermentation in the bottle. Contains barley malt". Bom, quanto ao facto de ser o rei ou rainha das cervejas de abadia, tal é discutível. Contudo, é inegável que se trata realmente de puro prazer!

De cor dourada escura, quase âmbar, mostrou espuma agradável, cremosa, branca e que demorou a "morrer".

O aroma é frutado e algo doce, com notória presença de malte e especiarias.

Como habitualmente nestas Tripels, o verdadeiro carácter desta cerveja detecta-se no sabor, cheio, forte e bem balanceado. Os 8,5% são quase indetectáveis no meio da complexidade de sabores, todos no seu devido lugar e sem lutas ou querelas por uma posição de destaque. O primeiro trago é algo amargo e agressivo, sensação rapidamente ultrapassada pelo doce do malte e o perfume dos frutos, nomeadamente tangerina e maçã. O final é seco e prolongado, deixando-nos uma agradável presença de especiarias e álcool na memória. Na minha opinião encontrei um único senão: está demasiado carbonatada para o estilo e para o conteúdo alcoólico.

A Brouwerij Affligem tem dificuldade em fazer más cervejas e esta Tripel mais uma vez comprova-o. Um clássico do estilo!

Aparência: 7/10
Aroma: 6/10
Sabor: 7/10
Palato: 8/10

Total: 7/10

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Mensagempor bmxutos » domingo mai 27, 2007 0:40

emsfc Escreveu:
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Caro emsfc,

tomei a liberdade de utilizar a tua bonita fotografia das Grimbergen, que está agora a "rodar" na página inicial do CdM.

Abraço,


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Mensagempor emsfc » domingo mai 27, 2007 16:24

bmxutos Escreveu:Caro emsfc,

tomei a liberdade de utilizar a tua bonita fotografia das Grimbergen, que está agora a "rodar" na página inicial do CdM.

Abraço,


Sem problema!

Abraço


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Mensagempor emsfc » quarta mai 30, 2007 16:40

Ontem fui ao ECI e, só por vossa causa, para vos dar a conhecer algumas das cervejas que cá se produzem, trouxe um pack de Alhambra Mezquita. Tudo bem que até trazia um copo de oferta, mas foi difícil resistir às Chimay, Urquell's e afins, e trazer umas Alhambra. Os sacrifícios que eu faço pelo CdM :D
A Mezquita é um produto das Cervezas Alhambra, que foi desenvolvido na fábrica de Granada, mas que actualmente é produzida na fábrica de Córdoba.
Encontrei uma review desta cerveja no site beeradvocate, e que pode ser consultada no seguinte link:

http://beeradvocate.com/beer/profile/9262/32806/?ba=mdagnew

"330ml bottle bought from GapWines, Belfast...

Poured a dark amber red colour... Creamy tan head poured thick and foamy then faded to nice thin layer. Some patchy lacing... No real carbonation...

Aroma - Very sweet caramel maltiness, dark vinuous fruits (raisins, prunes, some figs), nuttiness, some rum notes, peppery, some spicy hop bitterness just cuts through the sweetness, toasted bready notes...

Taste – Sweet dark fruits (definite figs and raisins), toffee maltiness, alcohol pretty noticable, sweet nuttiness, strong breadiness, some toasted biscuitiness, peppery hops, maybe some hints of adjuncts / cereals coming through...

Feel - Pretty smooth... Medium body... Quite drinkable for the strength but becomes too sweet after a while. Couldn't drink more than one per sitting...

Overall - A pretty good beer - better than expected... Nothing mind blowing but probably worth a try..."


E a foto é claro...

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Mensagempor VicMaP » quarta mai 30, 2007 18:19

Lá bonita é ela!
Já tinha lido uma crítica pouco elogiosa dos tipos da "Oh...my head" ( http://www.ohhh.myhead.org/ ), mas como as críticas deles não estão muito de acordo com o meu gosto - imagene-se, 3 cervejas de sabores nos 4 1ºs lugares dos rankings deles (não é que não goste de cervejas de sabores, mas daí a pô-las nos 1ºs lugares...) - de modo que um destes dias sou capaz de me atirar a umas dessas.
:D
Abraço


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Mensagempor emsfc » sábado jun 02, 2007 15:55

Alhambra Reserva 1925

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Algumas reviews a esta cerveja podem ser encontradas no site beeradvocate

http://beeradvocate.com/beer/profile/9262/16764

Gosto particularmente da garrafa desta cerveja. Penso que se apropria ao nome da cerveja, fazendo lembrar uma garrafa de vinho. O "rótulo" gravado na garrafa também tem a sua piada.
Penso que em termos de cerveja, é uma macro lager bem agradável, sendo que, em minha opinião, é do melhor que se produz aquí em Espanha. A nível mundial, nem vale a pena fazer comparações...
Mas claro que eu também sou suspeito em falar desta cerveja, por isso fico à espera para saber a opinião do entendido Vic, quando passar aquí por Espanha.
A título de curiosidade, deixo aquí um link onde podem ver o mais recente spot publicitário da Reserva 1925.

http://www.youtube.com/watch?v=1Q5yCZ4IVJ4

Abraço


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Mensagempor VicMaP » sábado jun 02, 2007 23:57

emsfc Escreveu:Alhambra Reserva 1925

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Algumas reviews a esta cerveja podem ser encontradas no site beeradvocate

http://beeradvocate.com/beer/profile/9262/16764

Gosto particularmente da garrafa desta cerveja. Penso que se apropria ao nome da cerveja, fazendo lembrar uma garrafa de vinho. O "rótulo" gravado na garrafa também tem a sua piada.
Penso que em termos de cerveja, é uma macro lager bem agradável, sendo que, em minha opinião, é do melhor que se produz aquí em Espanha. A nível mundial, nem vale a pena fazer comparações...
Mas claro que eu também sou suspeito em falar desta cerveja, por isso fico à espera para saber a opinião do entendido Vic, quando passar aquí por Espanha.
A título de curiosidade, deixo aquí um link onde podem ver o mais recente spot publicitário da Reserva 1925.

http://www.youtube.com/watch?v=1Q5yCZ4IVJ4

Abraço

:D Sou tudo menos entendido, Edson. Aliás, conheço um número muito restrito de cervejas, por enquanto. Mas faço o possível por ir sempre conhecendo umas novas, de modo que vou aquui desabafando com vocês sobre o que me vai passando pelas papilas.
A propósito de Espanha, dei lá hoje uma saltada, uma vez que por motivos profissionais - não meus, mas de quem foi comigo - tive que me deslocar a Estremoz. Ora como estava tão próximo... E lembrei-me desta tuua sugestão e andei á procura da Alhambra reserva no ECI, mas infelizmente não havia. Em contrapartida, encontrei lá umas novidades, mas dessas falamos amanhã, após a sessão de fotografia (e não só!) :D


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Mensagempor VicMaP » segunda jun 04, 2007 13:16

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Esta "morena" surpreendeu-me pela positiva.
Vi a gama completa - Brune, Ambré e Blond - da Te Deum à venda no ECI de Badajoz e acabei por as comprar, uma vez que para mim eram novidade.
E comecei a "prova" com esta, o que é o inverso do que costumo fazer. E bem.
A apreensão, face a um produto sobre o qual não tinha ainda lido quaisquer opiniões - e geralmente gosto de saber alguma coisa que me dê um mínimo de conhecimento sobre o que me sai na rifa - foi-se rapidamente. Quando a deitei no copo, revelou-se de um castanho muito escuuro, profundo, quase negro e a espuma, beje, era abundante. E perdurou e foi deixando anéis no copo à medida que era bebida.
O cheiro a caramelo aparece logo, o que faz prever, e bem, o seu sabor a rondar o de um café bem torrado.
Normalmente, este tipo de Ales belgas tem tendência a tornar-se "pesada", pelo sua estrutura, pelo seu teor alcoólico. Esta não. Tem uma boa carbonatação e um TA de 6º, tudo a ajudar ao consumo mais intenso desta morena da brasserie du Bock, o que aconselho sinceramente.

Boa

O rótulo e contra-rótulo têm as indicações essenciais, entre as quais que esta cerveja deve ser consumida entre os 5 e 6ºC


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Mensagempor Cerevisiae » sexta jun 08, 2007 23:37

Caro emsfc,

emsfc Escreveu:Alhambra Reserva 1925

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Algumas reviews a esta cerveja podem ser encontradas no site beeradvocate

http://beeradvocate.com/beer/profile/9262/16764

Gosto particularmente da garrafa desta cerveja. Penso que se apropria ao nome da cerveja, fazendo lembrar uma garrafa de vinho. O "rótulo" gravado na garrafa também tem a sua piada.
Penso que em termos de cerveja, é uma macro lager bem agradável, sendo que, em minha opinião, é do melhor que se produz aquí em Espanha. A nível mundial, nem vale a pena fazer comparações...
Mas claro que eu também sou suspeito em falar desta cerveja, por isso fico à espera para saber a opinião do entendido Vic, quando passar aquí por Espanha.
A título de curiosidade, deixo aquí um link onde podem ver o mais recente spot publicitário da Reserva 1925.

http://www.youtube.com/watch?v=1Q5yCZ4IVJ4

Abraço


Esta é uma das minhas 100 cervejas! Estive há 3 três anos em Granada durante uma semana para participar num congresso. Devo reconhecer que esta cerveja impressionou-me. Primeiro porque não estamos à espera de encontrar uma cerveja espanhola que seja boa (pré-conceito). Segundo: é de facto uma boa lager, se bem me lembro uma cor fantástica, para o amarelo forte / dourado, um bom aroma a lúpulo e muito ontuosa e suave. O alcóol era notório mas nao deixava de ser agradável. No meu grupo de amigos ainda temos a alhambra reserva como um exemplo. Serve para desmistificar que as cervejas espanholas são todas Lagers muito leves e desprovidas de carácter.

Alguém sabe onde se pode encontrar esta cerveja em Portuga? Mesmo no Corte Inglês, não consigo vê-la à venda.


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Mensagempor emsfc » sábado jun 09, 2007 7:18

Esta cerveja não se encontra à venda em Portugal. É uma pena! Esta semana seguem 12 destas para Portugal, que vão ficar à minha espera para quando voltar. Aproveito que tenho cá uns amigos a visitar-me para enviar algumas para Portugal para oferecer aos amigos.

Abraço


mitos
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Mensagempor mitos » sábado jun 09, 2007 10:38

bem parece que temos que fazer um dos nossos encontros mensais de 4ª feira em granada pra provar essa celebre alhambra reserva

(so pela cerveja acho q tambem nao se justifica anexar espanha,mas nunca se sabe ;-) )


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bmxutos
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Mensagempor bmxutos » sexta jun 22, 2007 0:07

Já algum tempo que não punha aqui nenhumas notas de provas pelo que hoje vou retomar esse hábito. E a escolhida foi a Neumarkter Lammsbrau Blond, uma cerveja que tem aparecido nos supermercados do ECI, a par de outras da mesma companhia.

A garrafa é de 33cl, branca (transparente) e de formato curioso. O rótulo e a gargantilha não são nada de especial mas não deixam ao mesmo tempo de serem diferentes. Descrita como uma Blond Mild Beer, esta cerveja apresenta o tão na moda simbolo bio, sinal de que é elaborada com lúpulo e malte produzidos segundo as regras da cultura orgânica. Tal pode ser favorável ao planeta e ao ambiente mas, até hoje, não descortinei nenhuma vantagem em termos de qualidades da cerveja.

Com 4,8% de vol. alc., esta Lammsbrau é muito clara e produz uma espuma branca pouco exuberante ou duradoura. Em termos de aspecto lembra-me muito a Corona (ainda que um pouco melhor), o que não augura nada de bom... Baixa carbonatação.

O aroma inicial a lúpulo é agradável e intenso, apesar de se dissipar com rapidez. Fica então uam ligeira presença de citrinos (limão e laranja) e umas nuances doces com origem provável no malte biológico!

O corpo é leve e o sabor aguado. A meio da prova torna-se uma cerveja algo penosa de beber, com um doce excessivo, quase lembrando a utilização de mel e pouca presença de lúpulo para equilibrar. Se não tivesse lido os ingredientes, diria que tinham juntado milho à produção, mas se eles dizem que não... O final é metálico e e ligeiramente mais lupulado.

Já tinha experimentado a Dunkel desta cervejeira e nem tinha ficado com má impressão. Mas neste caso fiquei com a sensação que quiseram criar um produto mais leve do que o ar e acabou por ficar um grande vazio. Não é uma cerveja que enferme de grandes males mas falta-lhe aquele golpe de asa que separa uma cerveja de uma boa cerveja. Diria que estamos em presença de uma Bland Blond.

Aparência: 5/10
Aroma: 6/10
Sabor: 4/10
Palato: 4/10

Total: 4,75/10

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Mensagempor bmxutos » sexta jun 22, 2007 0:45

Bom, esta vai ser live and kicking! Acabei de abrir uma Sagres LimaLight e vou avaliá-la em directo. Qualquer dia faço uam destas sessões com uma webcam! :))

Amarelo pálido, forte carbonatação inicial. A espuma é huuuge mas, como seria de esperar, pouco consistente/resistente.

Magnífico aroma a Sonasol limão (bom, pelo menos é bom para quem gosta do cheiro de detergentes!). Curiosamente, apesar dos citrinos o aroma tende para o lado doce, ou seja, pouca presença de lúpulo.

O sabor é bastante artificial e acaba por ser enjoativo. O sabor do limão não está muito bem definido o que faz com que as papilas gustativas façam aaarrrrrghhhhhh! O amigo milho deve andar praí escondido! Mais uma vez, um pouco de lúpulo não lhe faria nada mal...

É daquelas cervejas que têm de estar estupidamente frescas para não se sentir/saborear grande coisa. O final é muito curto e sem ser desagradável pede algo que o substitua. Sinceramente, achava que não se podia descer abaixo da Green mas não sei se esta LimaLight não o conseguiu. Só mesmo colocando as duas lado a lado. Pelo menos em termos de aspecto esta Sagres ganha. A garrafa de 33cl apesar de branca (transparente) acaba por ser elegante, com o rótulo em tons de cinzento e amarelo.

Informações do rótulo:

- Cerveja adicionada de sumo de limão.
- 4,0% vol. alc.
- O panaché com verdadeiro limão e 30% menos de calorias (caros amigos da Sagres, temos de nos decidir: ou é uma cerveja ou é um panaché!!! Ou seja, é um elefante com pescoço de girafa, tá visto)
- Os 30% a menos de calorias reportam-se à comparação com a Sagres Bohemia. Não seria mais fácil fazer a comparação com a Sagres normal? Pois, é que se calhar em vez de serem 30% seriam so 10 ou 15 ...)
- Ingredientes: água, malte (cevada), cereais não maltados (milho), lúpulo, aroma natural (lima), sumo de limão à base de concentrado (0,2%), ácido cítrico e acesulfame k.

Maravilha! Pelos vistos a Sagres optou por seguir o caminho da SB, lançado uma grande quantidade de produtos para o mercado mas sem se preocupar com a qualidade deles. Esta LimaLight é bem boa para quem não gosta de cerveja. Felizmente, ainda não bate a Tango como pior novo produto do mercado. Mas não andará muito longe! :roll:

Aparência: 4/10
Aroma: 3/10
Sabor: 3/10
Palato: 2/10

Total: 3/10

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Mensagempor bmxutos » quinta jun 28, 2007 0:04

Vou manter-me na onda das Sagres esquisitas, pelo que passo agora para a Sagres Zero Preta.

Esta sem álcool vem numa garrafa castanha, com um simples mas elegante rótulo em tons de azul, preto e branco. Gostei.

As pretas sem álcool são algo recentes no mercado português e se as loiras sem álcool já apresentam vendas residuais (apesar de em constante crescimento), imaginem os números das pretas... Apesar de tudo, acabam por ser uma opção bem aceitável para aqueles que não querem consumir álcool e que pretendem um produto com algum sabor. Aliás e na minha opinião, as pretas s/ álcool acabam por ser mais bem conseguidas do que as suas congéneres louras. Pouco, é verdade...

Esta Sagres Zero Preta chega em boa altura, pelo menos para a Centralcer que testemunhou algo silenciosamente a chegada da gama Twin. Ao pouco a resposta vai surgindo e esta zero parece-me bem apetrechada para a luta.

Servi num copo tipo half-pint, tendo apresentado cor escura, castanha e com alguns reflexos vermelhos. A espuma é pujante se bem que pouco densa. Apesar de tudo, sobreviveu bem mais do que muitas outras cervejas ditas "normais" que existem no mercado. Louve-se isso. Aliás, não fora o típico cheiro a cerveja sem álcool que logo nos atinge mal salta a carica e em termos de aspecto estávamos em presença de uma cerveja mais do que aceitável.

O problema está no aroma. Pelo menos para mim! Como já disse, o típico aroma a cerveja sem álcool está presente desde o início, se bem que neste caso mais doce do que o habitual e com algum malte à mistura. Enfim, mesmo que houvesse algo mais presente não me esforcei por anotar... :?

Passemos ao sabor e tentemo-nos abstrair do aroma (como se tal fosse possível...). O primeiro trago é um choque, com um intenso sabor metálico. O desenrolar já é mais positivo, ainda que com um doce artificial mas também com a presença de cereais torrados e um toque a fumado quase que surpreendente numa cerveja deste género. Apesar do corpo leve e de um carácter algo aguado, esta Zero disfarça muito bem as suas origens tornando-se não numa cerveja agradável mas pelo menos bebível.

O "afertaste", tal como acontece com quase todas as sem álcool que já bebi, é sofrível.

Como costumo dizer, estas sem álcool tornam-se opções apenas quando se vai conduzir ou quando não se pode/quer beber álcool. Em tudo o mais, continuam a uma longa distância das suas irmãs adultas. Apesar de tudo, esta Zero Preta é bem melhor do que, por exemplo, a Cheers Preta sem álcool.

Aparência: 6/10
Aroma: 2/10
Sabor: 4/10
Palato: 3/10

Total: 3,75/10

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Mensagempor bmxutos » quinta jun 28, 2007 0:42

Tomando como conselho a boa apreciação do Vic à Schmucker Rosé Bock e tendo passado pelo ECI, trouxe uma para experimentar e para ver se ficava com outra impressão da cervejeira! E fiquei mesmo! 8)

Para além do mais, não é todos os dias que tenho oportunidade de beber uma Rosé Bock, ou o que quer que isso seja. Garrafa castanha de 0,5l, 8% vol alc. e rótulo com fundo branco e a típica "foto" da família de cervejas Schmucker. Mais uma que menciona a Reinheitsgebot e que, segundo o que aparenta no rótulo, não lhe foge: água, malte de cevada, lúpulo e levedura. A foto do contra-rótulo é cómica: uma paisagem idílica, com um lago, uma floresta ao fundo e um pescador. A este acrescentaram um balão tipo desenho animado, onde aparece o desenho da Schmucker. Exacto: agora que estou aqui a pescar esta carpa de 20 kg é que me sabia bem uma Schmucker! :)

Cor âmbar, com uma bonita espuma beige que se revelou fugidia e pouco densa. Muito pouco gasosa ao olhar (tal não se confirmou durante a degustação).

O aroma é doce, com forte presença de malte e enorme de caramelo. Robusto mas de certo modo desequilibrado.

Na boca o álcool é bem perceptível mas não intrusivo. Novamente forte presença de malte o que torna a bebida ligeiramente pastosa, algo que é aliviado por um lúpulo final assinalável, que lhe transmite um amargor refrescante, quase mesmo excessivo.

Lá está, esta Schmucker Rosé Bock não confirma as más impressões que a Gold me deixou. Não se trata de uma cerveja fabulosa e a que volte muitas vezes mas não deixa ficar mal o estilo.

Aparência: 5/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 5/10

Total: 5,5/10

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Mensagempor bmxutos » sexta jun 29, 2007 21:57

A Huyghe é uma cervejeira belga bem conhecida no panorama internacional, produzindo marcas tão famosas como a Delirium Tremens ou a St. Idesbald Dubbel. Apesar da fama, a empresa não se livra de fortes críticas, umas acredito que por inveja mas outras, verdade seja dita, com algum fundo de razão. De facto, a Huyghe dá geralmente muita importância ao aspecto descurando, por vezes, o mais importante: o conteúdo. Não é por isso de estranhar que desta companhia tenham surgido produtos como a Samba do Brasil, a Floris Chocolat, a Mongozo Banana ou a Sexy Girl Pils! Muitos dos nomes são já sugestivos portanto, tentem imaginar o aspecto! :roll:

Não fui tão radical e experimentei uma cerveja que já é um valor seguro da empresa: a La Poiluchette Brune Cuvée du Château. Esta Belgian Ale veio numa garrafa castanha de 33cl, com aspecto normal (gargantilha e rótulo em tons de vermelho; figura militar em destaque no rótulo) e com 7,5% vol. alc. Destaque, pela negativa, para o rótulo muito pouco informativo.

Servi num copo tipo tulipa, tendo apresentado uma cor castanho escuro com algumas nuaces vermelhas. A espuma é muito bonita e fortemente efervescente ao início, apesar de se manter densa e presente até ao fim da prova.

O aroma é fortemente maltado, algo doce e com presença interessante de álcool e cereais torrados. Com o avançar do tempo e o aquecimento da bebida surgem aromas a caramelo e passas.

À vista esta cerveja apresenta-se bastante carbonatada, algo que se confirma na boca. Tal torna-se mesmo excessivo, na minha opinião. No entanto, isso não invalida o excelente sabor desta cerveja, complexo e menos doce do que o nariz faria supor. Notória presença do álcool, se bem que nada desagradável, o que origina a sensação de que estamos a beber uma cerveja com um teor alcoólico superior ao que ela realmente tem. Boas notas de café, açucar caramelizado e malte torrado. O fim é tendencilamente doce mas nada enjoativo, antes pelo contrário. Ficamos com a sensação de que, se pudéssemos, poderíamos bebr outra igual já de seguida. Mas, infelizmente, a Bélgica ainda fica um bocado longe...

Aparência: 7/10
Aroma: 7/10
Sabor: 8/10
Palato: 7/10

Total: 7,25/10

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VicMaP
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Mensagempor VicMaP » domingo jul 01, 2007 12:00

bmxutos Escreveu: Boas notas de café, açucar caramelizado e malte torrado. O fim é tendencilamente doce mas nada enjoativo, antes pelo contrário. Ficamos com a sensação de que, se pudéssemos, poderíamos bebr outra igual já de seguida. Mas, infelizmente, a Bélgica ainda fica um bocado longe...

Aparência: 7/10
Aroma: 7/10
Sabor: 8/10
Palato: 7/10

Total: 7,25/10

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Cada vez sou mais fã deste tipo de cerveja. Esta não conheço, mas acredito que seja por pouco tempo :)

Abraço

Vic


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Rasec
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Mensagempor Rasec » domingo jul 01, 2007 12:29

VicMaP Escreveu:Imagem


Adoro esta cerveja! Acho-a mesmo muito equilibrada dentro do género!


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Mensagempor mitos » domingo jul 01, 2007 15:51

hoje como tou c tempo e paciencia pra escrita e tb pq as questoes interessantes abundam vou comentar algo relacionado sobre uns produtos q o bruno provou e portou uns comments acima sob a elucidativa e mui adequada designaçao de "as sagres esquisitas" :-) :-) :-)

e pra nao variar q opiniao vou eu dar??? a de marketeer, como nao podia deixar de ser. hoje tou um bocado acido ;-) mas depois no final dou a deixa (com um exemplo q se calhar isto nao ta tao mal assim)

esta raça, a quem os accionistas pagam fortunas pra cuidar bem das suas marcas, q eles dizem amar mais do q a propria vida, tem a crença enraizada (e a meu ver errada) q tudo pode fazer às ditas, como quem tem um olho numa terra de cegos. isto é dizer, eu sou o esperto, todos os consumidores sao burros e como tal todas as artimanhas q eu fizer ninguem vai perceber (geral/ qd percebem q abusaram ja é tarde demais)

ora vem esta questao a proposito do q a scc e seus marketeers amestrados andam a fazer com a marca sagres. a estrategia generica é chamada nos almanaques da especialidade de umbrella, ou seja em bom portugues, vamos meter uma catrefada de produtos na mesma marca pq isto fica mais barato

de facto barato fica, nao sei é se todos os consumidores percebem ou valorizam isso. das duas uma ou cada marca tem uma identidiade propria e valores comuns q partilha ou entao nao sao precisos os tais marketeers pra nada, e o porteiro da fabrica nas calmas fara o trabalho deles nos intervalos mortos

custa-me um bocado a perceber q pra um consumidor faça sentido ter debaixo da mesma marca 1 cerveja normal, 1 preta, 2 versoes abestemias pra cada uma, 1 premium (a bohemia) + 1 premium premium (a 1835) + 1 premium so pro norte (a douro), 1 panache de lima light. chiiiiça q é caso pra dizer q ja chega. eh pa gastem la umas massas e criem marcas novas com perfis adequados aos consumidores com quem querem comunicar, é q quem bebe 1835 nao bebe a tal com sabor a detergente de limao. e ja agora sera tanta a vergonmha da marca sagres no norte q se justifique ela quase nem se ver nesse tal fantastico produto q alia o doce e o amargo???

à falta de melhor explicaçao istrro é forretice, de tanto esticar a umbrella ela rasga. as variedades nao tem personalidade propria, por mto q se pretenda q sim, e isto é uma amalgama desconexa. os senhores la da unicer vao plo mm caminho, mas nao tao grave pqestao mais concentrados nas mistelas de sabores e nas 0 alcool (visto a abadia ser qs insignificante e o nome super bock nao estar ai tao presente)

geral/ este cenario aparece qd as empresas tem comportamentos oportunistas no mercado, tentando por experimentaçao ver o q resulta, sem investir mto em cada movimento (q nem merecem o nome de estrategico) q fazem

mas agora poder-se-ia perguntar: entao mas esta estrategia de usar a mesma marca pra uma linha de produtos nao pode resultar???
pode, se forem comuns os valores a partilhar e se forem comunicados de forma muito coerente aos consumidores. o melhor exemplo disto em bem feito é a virgin (q ate consegue isso a nivel mundial), discos, linhas aereas, preservativos, vestidos de novas, telecomunicaçoes, e ... uma data de outros falhanços

entao qual é a diferença entre a sagres e a virgin? nao é uma sao duas, a saber

1ª quem está por traz da marca. é um genio ou um aprendiz de feiticeiro?

2ª os valores da marca sao de facto exportaveis pra todos os mecados ou linhas de produto?

a resposta as duas perguntas pode ser encontrada numa das melhores autobiografias q ja li: a de richard branson, q é só a maior fortuna adquirida de inglaterra (e adquirida quer dizer q começou do zero, meeeesmo ;-) ). ou nao fosse este o gajo q ousou desafiar "só" a british airways (e conseguiu) e a coca-cola (e falhou)



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