O que ando a beber...

Comente quais as suas cervejas preferidas, aquelas que menos gosta, as suas qualidades, defeitos e características.
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canecao
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Mensagempor canecao » segunda mar 19, 2007 16:48

beertruck Escreveu:
canecao Escreveu:pena estar longe e não poder ir ao vosso encontro para experimentar a outra cerveja. Pode ser que no verão, realizem um cá em baixo.

Cá em baixo? Onde? Não és da região de Lisboa?


Sim, sou de Belas. Mas de momento encontro-me a trabalhar em Portimão e por cá devo ficar uns tempos! :-|


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Rasec
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Mensagempor Rasec » segunda mar 19, 2007 20:53

Como estão fartos de falar da Rochefort 10 e eu já não bebia nenhuma há algum tempo, lá me lembrei de ir ao Court Inglês comprar algumas.

Agora quando cheguei a casa, comecei a fazer contas à vida e gastei mais de 50€ em cerveja :oops: :oops: ...

Bem diz a minha namorada que eu não posso ir às compras sozinho...

Enfim, comprei umas Rochefort, umas Kwak, umas Erdinger Champ, umas Augustijn e umas Charles Quint ("ganhei" mais dois copos para a colecção :roll: ).

Ahh, vão ser umas belas férias!! :P


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Mensagempor bmxutos » quarta mar 21, 2007 16:00

beertruck Escreveu:
Ah! E não sobrou um bocadinho de stout?... Ó lambão!...


:oops: Oooopssss!!!

Ela estava fresquinha e eu estava com sede.... ))ooo

Acho que a Weizen também vai agradar!

Abraço,

Bruno
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Mensagempor beertruck » quarta mar 21, 2007 19:35

canecao Escreveu:
beertruck Escreveu:
canecao Escreveu:pena estar longe e não poder ir ao vosso encontro para experimentar a outra cerveja. Pode ser que no verão, realizem um cá em baixo.

Cá em baixo? Onde? Não és da região de Lisboa?


Sim, sou de Belas. Mas de momento encontro-me a trabalhar em Portimão e por cá devo ficar uns tempos! :-|


Ah! OK...


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Mensagempor beertruck » quarta mar 21, 2007 19:36

Rasec Escreveu:Agora quando cheguei a casa, comecei a fazer contas à vida e gastei mais de 50€ em cerveja :oops: :oops: ...


Eheheh... É o que eu tb gasto qdo vou ao ECI... :roll:


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Mensagempor beertruck » quarta mar 21, 2007 19:37

Rasec Escreveu: ...Augustijn...

O que é isso? Estavam no ECI?


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Mensagempor ptlsousa » domingo mar 25, 2007 2:51

Caro Bruno,

Agradeço imenso a avaliação da Stout. Soube-me a elogio!
Espero que tenhas tido tanto prazer a degustar essa cerveja como eu tive ao produzir o mosto, vigiar a fermentação e a engarrafar.
Apesar dos conhecimentos, surgem sempre dúvidas e incertezas. Por isso, sempre que provo uma nova cerveja feita em casa, depois de um mês de espera, sabe-me a sucesso. A ideia tornada realidade!

Só me resta agradecer ao nosso ptlsousa e pedir-lhe uma coisa: por favor, continua!


Um muito obrigado!
Espero motivar, em breve, novas provas e mais cervejeiros caseiros!
Agradeço também à Loja da Cerveja Caseira pela qualidade da matéria-prima que forneceu...

(!!!C) (!!!C)


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Mensagempor bmxutos » segunda mar 26, 2007 1:01

ptlsousa Escreveu:Caro Bruno,

Agradeço imenso a avaliação da Stout. Soube-me a elogio!


Acredita, o prazer foi todo meu!


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Mensagempor bmxutos » segunda mar 26, 2007 1:58

Para alguns portugueses, a Sagres ou a Super Bock, consoante prefiram uma ou outra marca, são as melhores cervejas do mundo. Não vale a pena confrontá-los e explicar que existem milhares de marcas e dezenas de estilos. Apesar de só terem bebido Sagres, SB, Cergal, Cristal ou Imperial, nenhum país tem cerveja como a nossa. Para além do mais, argumentam, se tal não fosse assim porque é que os estrangeiros, sempre que vêm a Portugal, adoram a nossa cerveja? Poderia explicar-lhes que conheço bastantes estrangeiros que não acham piada nenhuma às nossas cervejas e que, para além do mais, muitos daqueles que dizem que gostam também só bebem Heineken e Carlsberg nos seus países de origem.

No entanto, há também uma camada da população, mais pequena, é certo, que quase se recusa a beber cerveja nacional, devido à sua falta de qualidade, dizem. Consomem, por isso, marcas como as já referidas Heineken, Carlsberg, Grolsch ou Bud.

Pessoalmente, acho que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. As cervejas nacionais podem, de facto, não ser o supra-sumo da arte cervejeira. No entanto, dentro do estilo em que a maior parte das nossa cervejas são feitas, não temos nada que nos envergonhar. As nossas Sagres e SB não ficam nada atrás de centenas de Macro Lagers feits por esse mundo fora, antees pelo contrário.

Vem isto a propósito do que se bebe em Espanha e mais propriamente da Cruzcampo Pilsen.

A actividade cervejeira em Espanha está um pouco melhor distribuida do que em Portugal, existindo várias empresas a lutar por um lugar ao sol. Entre as marcas mais conhecidas, temos a San Miguel, a Cruzcampo, Estrella Galicia, Alhambra, Zaragozana, Mahou e Damm. Existem outras como a Dorado das Canárias ou a Sureña da Andaluzia mas as primeiras são as mais conhecidas e melhor distribuidas.

Portanto, desta vez bebi a Cruzcampo com um pouco mais de atrenção do que o habitual (e o habitual é entre pratos de tapas ou junto à praia no decurso de um Verão abrasador).

Garrafa de 25cl, suficiente para o efeito, rótulo vermelho, sem nenhuma característica especial. Curiosamente, virei e revirei a garrafa e não consegui descortinar a percentagem alcoólica. Segundo consta no site da própria firma, ronda os 4,8%. Servi num copo tipo pilsener.

Ingredientes: água, malte de cevada, milho, lúpulo e estabilizador E-405.

A Cruzcampo faz parte desde 1999 do universo da Heineken, que a comprou à Diageo (Guinness). Como tal, encontramos nesta cerveja muitos dos "tiques" característicos da casa-mãe.

Ao servir mostrou um líquido amarelo dourado, um pouco pálido, conjugado com uma decente espuma branca, com alguma retenção e que deixou um bonito laço. Apresentou-se "viva" ao longo de toda a prova.

O aroma é doce (ai o amigo milho....), com um ligeiro toque metálico, diria mesmo quase a lúpulo, mas não convém exagerar!

O sabor é bastante aguado, com pequena presença de cereais, um pouco de lúpulo logo a seguir e um final completamente neutral, sem qualquer sentido. Deixa um ligeiro sabor herbal que não consigo dizer se é desagradável ou não. Enfim...

Se mais provas fossem precisas, estava aqui esta Cruzcampo para demonstrar que só podemos ter orgulho nas cervejas que temos em Portugal. É claro que, como bebedores exigentes que somos, queremos sempre melhor, com mais qualidade e variedade. Mas enquanto o mercado não sofre uma grande volta, podemos agradecer de não termos que beber San Migueis, Cruzcampos e afins!

Aparência: 6/10
Aroma: 3/10
Sabor: 4/10
Palato: 3/10

Total: 4/10

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Mensagempor bmxutos » sábado abr 21, 2007 14:56

Hoje volto às belgas e aos produtos da Brasserie de Silly da qual, até ao momento, não guardo grandes recordações (Silly Saison ou a Pink Killer, por exemplo).

Neste caso, o risco talvez seja menor, visto tratar-se de uma Belgian Ale, um estilo bem formatado e que, só fazendo uma grande asneira, é que se consegue produzir algo mau. A marca: Cervoise de l'Avouerie d'Anthisnes (sim, é isto tudo!).

Garrafa de 25cl ( :( ), castanha, rótulo em tons creme, com letras em estilo antigo e escritas em algo que se pretende assemelhar a um papiro. Esta "Brassin Special", tem 5% de vol alc. e sofre refermentação em garrafa. Para além disso, o rótulo refre ainda que a cerveja maturou por vários meses nas caves do castelo de Anthisnes! Enfim, não parece mas se eles o dizem....

Curiosamente, a Cervoise é bastante semelhante à Saison de Silly, apesar de ligeiramente melhor. De cor âmbar, quase castanho, apresentou espuma pequena, algo duradoura mas pouco cremosa. Apesar da dita refermentação em garrafa, não apresentou sedimento.

O aroma é algo doce, dominado pelo malte e caramelo e ainda com a presença de frutos secos, essencialmente noz.

Novamente malte e caramelo no sabor, com notas de madeira, cereais torrados e um final a ferro/metal algo incomodativo. Pouca presença de lúpulo e, por conseguinte, baixo nível de amargo. Tal torna-se particularmente relevante para o fim e à medida que o líquido vai aquecendo, o que provoca um doce excessivo nos últimos tragos. Talvez seja esta, de facto, a maior crítica que se pode fazer à Cervoise, devido ao pouco equilíbrio entre o malte e o lúpulo (mais por falha deste último).

Conclusão: fácil de beber mas nada de excepcional. Talvez um envelhecimento ligeiro lhe melhorasse alguns aspectos mas a minha estava no limite do prazo e eu não queria que se estragasse.... :P
Mais uma assim-assim da Silly!

Aparência: 6/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 7/10

Total: 6,25/10

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Mensagempor bmxutos » domingo abr 22, 2007 3:09

Entre as centenas de marcas de cervejas que existem no mercado, há algumas muito boas, outras simplesmente decentes e há ainda algumas que são verdadeiramente mazinhas. A Schmucker Gold insere-se neste último grupo.

Produzida pela Privat-Brauerei Schmucker, esta Pale Lager veio com todos os defeitos que podem ser apontados a este estilo. Garrafa de 25cl (neste caso mais do que suficiente), branca (transparente), vol. alc. 4,8%. Rótulo normal, sem nada que o destaque. Curioso é o contra-rótulo, onde se vê uma senhora a correr e a sonhar com uma Schmucker. Cómico, no mínimo. Carica engraçada.

Cor dourada, clara, límpida, espuma mediana com alguma retenção.

Aroma muito fraco, mesmo neutral. Ligeiro assomo herbal e quase nenhum malte ou lúpulo. Tendencialmente doce.

Boa carbonatação, corpo muito leve e sabor... a nada. Ou quase. Aguada e sem carácter. Alguns cereais e um final muito ligeiramente cítrico.

Não vale a pena perder muito mais tempo com esta. Quem se quiser refrescar e gostar de uma água gaseificada com alguma sabor, tem aqui uma boa opção. Para quem aprecia cerveja.... next!!!

Aparência: 5/10
Aroma: 3/10
Sabor: 3/10
Palato: 4/10

Total: 3,75/10

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Mensagempor bmxutos » domingo abr 22, 2007 23:53

Isto de experimentar todas as cervejas que nos aparecem pelo caminho tem destas coisas: por vezes aparecem produtos que mais valia não se chamarem cerveja. Mas enfim, lá se vão bebendo...

Numa ida recente ao hipermercado Continente, deparei-me com uma nova cerveja, chamada "33cl Clássica". Bonito nome!!! :lol:

Carica não identificada, rótulo mauzinho, garrafa castanha de 33cl, 4,8% ABV, preço: 0,31€. Pois, por este preço não se pode esperar grande coisa, não é? O slogan que consta da garrafa é excelente: "Cerveja que é cerveja não tem nome, tem classe". Fabuloso! Diga-se que este é o produto branco do Continente, criado para fazer concorrência à Marina, o outro produto branco também à venda no Continente! Vá-se lá perceber isto...

Se não me levarem a mal, não vou gastar muito tempo com isto.

Cor amarela, espuma mediana, alguma falta de vivacidade para o estilo. Aroma doce,a milho e, lá bem no fundo, a malte. Sabor excessivamente doce, com um toque metálico, boa presença de milho (ou será má?). Aguada e sem carácter. Não há muito mais a acrescentar. Sinceramente.

Aparência: 4/10
Aroma: 3/10
Sabor: 3/10
Palato: 3/10

Total: 3,25/10

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Mensagempor emsfc » segunda abr 23, 2007 19:17

O resultado da minha ida ao El Corte Inglés de Granada...

Imagem

Quanto a preços:

Pilsener Urquell: 1.16€
Paulaner Salvator: 1.55€
Chimay: 1.86€

Quando as beber posto aqui os resultados da apreciação.


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Mensagempor bmxutos » segunda abr 23, 2007 21:08

emsfc Escreveu:O resultado da minha ida ao El Corte Inglés de Granada...

Imagem

Quanto a preços:

Pilsener Urquell: 1.16€
Paulaner Salvator: 1.55€
Chimay: 1.86€

Quando as beber posto aqui os resultados da apreciação.


3 boas escolhas, 3 estilos diferentes. As 3 são do melhor que se pode encontrar em cada género. Boas opções!

Abraço,


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Mensagempor emsfc » terça abr 24, 2007 15:39

bmxutos Escreveu:
3 boas escolhas, 3 estilos diferentes. As 3 são do melhor que se pode encontrar em cada género. Boas opções!

Abraço,


Foi por isso que as comprei. Tive a preocupação de comprar aquelas que tinham mais fama aqui no CdM

Bebi a Urquell hoje ao almoço. Uma boa companhia... Deu para perceber porque é que esta cerveja é considerada das melhores Pilseners. É completamente diferente de todas aquelas que já bebi. O que mais retive foi o aroma e o amargo deixado pelo lupulo. Nota-se que é um dos aspectos que têm mais em conta na fabricação desta cerveja. Deixa-nos um amargo na boca que se prolonga durante um tempo.
Para minha surpresa não fez muita espuma, e a que tinha não ficou no copo durante muito tempo. Mas não foi por isso que a cerveja perdeu o CO2. Mesmo depois de estar sem espuma e de ter aquele aspecto de cerveja "morta", ao beber sente-se aquele picar característico do CO2.
Uma boa cerveja... Venham de lá as outras!


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Mensagempor Rasec » terça abr 24, 2007 16:29

emsfc Escreveu:
bmxutos Escreveu:
3 boas escolhas, 3 estilos diferentes. As 3 são do melhor que se pode encontrar em cada género. Boas opções!

Abraço,


Foi por isso que as comprei. Tive a preocupação de comprar aquelas que tinham mais fama aqui no CdM

Bebi a Urquell hoje ao almoço. Uma boa companhia... Deu para perceber porque é que esta cerveja é considerada das melhores Pilseners. É completamente diferente de todas aquelas que já bebi. O que mais retive foi o aroma e o amargo deixado pelo lupulo. Nota-se que é um dos aspectos que têm mais em conta na fabricação desta cerveja. Deixa-nos um amargo na boca que se prolonga durante um tempo.
Para minha surpresa não fez muita espuma, e a que tinha não ficou no copo durante muito tempo. Mas não foi por isso que a cerveja perdeu o CO2. Mesmo depois de estar sem espuma e de ter aquele aspecto de cerveja "morta", ao beber sente-se aquele picar característico do CO2.
Uma boa cerveja... Venham de lá as outras!


Esse problema é mais facilmente atribuível ao copo onde bebeste a cerveja do que propriamente à cerveja em si.

Resíduos de gordura ou de abrilhantadores (mesmo que invisíveis a olho nu) fazem isso à cerveja!


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Mensagempor emsfc » sexta abr 27, 2007 15:36

A semana passada estive em Portugal e trouxe umas cervejas daí para oferecer aos meus colegas das Cervezas Alhambra. Por isso hoje fizemos uma degustação (ou cata, como dizem os espanhóis) de cerveja portuguesa. Trouxe Super Bock, Sagres e Sagres Bohemia.
No geral, posso dizer-vos que não gostaram muito da cerveja portuguesa. Nem sequer da Bohemia. Isto por causa do amargo. A cerveja portuguesa tem muito pouco amargo em relação à espanhola. E acreditem que se nota bem a diferença. Só mesmo provando as duas ao mesmo tempo é que se consegue ter essa noção. Em conclusão, acharam a cerveja portuguesa "fraquinha", muito leve. Não quer dizer com isto que a cerveja não tenha qualidade, no fundo é o facto de ser um produto diferente do que eles estão acostumados.
Achei interessante partilhar isto convosco, para que também saibam o que os outros pensam da nossa cerveja.
No fundo eu acho que vai tudo de um hábito. Dependendo de país para país, de região para região, as pessoas estão acostumadas a beber um tipo de cerveja, e por isso é natural que notem estas diferenças. Eu quando bebi a Alhambra pela primeira vez também notei muita diferença, áté porque a minha primeira impressão da cerveja espanhola não foi muito boa, mas agora já estou acostumado e até gosto. É tudo uma questão de hábito.


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Mensagempor bmxutos » quinta mai 03, 2007 0:48

emsfc Escreveu:A semana passada estive em Portugal e trouxe umas cervejas daí para oferecer aos meus colegas das Cervezas Alhambra. Por isso hoje fizemos uma degustação (ou cata, como dizem os espanhóis) de cerveja portuguesa. Trouxe Super Bock, Sagres e Sagres Bohemia.
No geral, posso dizer-vos que não gostaram muito da cerveja portuguesa. Nem sequer da Bohemia. Isto por causa do amargo. A cerveja portuguesa tem muito pouco amargo em relação à espanhola. E acreditem que se nota bem a diferença. Só mesmo provando as duas ao mesmo tempo é que se consegue ter essa noção. Em conclusão, acharam a cerveja portuguesa "fraquinha", muito leve. Não quer dizer com isto que a cerveja não tenha qualidade, no fundo é o facto de ser um produto diferente do que eles estão acostumados.
Achei interessante partilhar isto convosco, para que também saibam o que os outros pensam da nossa cerveja.
No fundo eu acho que vai tudo de um hábito. Dependendo de país para país, de região para região, as pessoas estão acostumadas a beber um tipo de cerveja, e por isso é natural que notem estas diferenças. Eu quando bebi a Alhambra pela primeira vez também notei muita diferença, áté porque a minha primeira impressão da cerveja espanhola não foi muito boa, mas agora já estou acostumado e até gosto. É tudo uma questão de hábito.


Bom tema emsfc! De facto, comparar à distância é sempre difiícil pelo que, havendo a oportunidade, é sempre bom colocarmos duas cervejas lado a lado e fazer o teste a partir daí. Muitas pessoas não ligam a isso mas nós próprios temos dias em que estamos mais predispostos a beber cerveja pelo que ao avaliarmos uma a seguir à outra estamos a minimizar o risco de estarmos num daqueles dias em que até podia ser uma grande cerveja, mas não estávamos para aí virados.

Por outro lado, isto de se gostar mais da cerveja de um país ou de outro é muito relativo e envolve, muitas das vezes, sentimentos nacionalistas. Tentando-me abstrair disso, o que não é fácil, leva-me a dizer que a cerveja portuguesa não é muito diferente da espanhola. Não é muito diferente mas é melhor! Sem dúvidas! Nuestro hermanos podem dizer o que quiserem e ainda podem estrebuchar um bocadinho mais mas tal é um facto. Basta procurar nos sites internacionais onde se classificam cervejas.

Dito isto, permite-me que te dê um conselho: da próxima vez, em vez de Sagres ou SB, tenta levar uma Tagus. Se nuestros hermanos acharem que ainda têm alguma lager melhor do que esta ou é porque ainda não a provei ou é porque estão a mentir! :)

Abraço,


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Mensagempor emsfc » quinta mai 03, 2007 14:31

bmxutos Escreveu:
emsfc Escreveu:A semana passada estive em Portugal e trouxe umas cervejas daí para oferecer aos meus colegas das Cervezas Alhambra. Por isso hoje fizemos uma degustação (ou cata, como dizem os espanhóis) de cerveja portuguesa. Trouxe Super Bock, Sagres e Sagres Bohemia.
No geral, posso dizer-vos que não gostaram muito da cerveja portuguesa. Nem sequer da Bohemia. Isto por causa do amargo. A cerveja portuguesa tem muito pouco amargo em relação à espanhola. E acreditem que se nota bem a diferença. Só mesmo provando as duas ao mesmo tempo é que se consegue ter essa noção. Em conclusão, acharam a cerveja portuguesa "fraquinha", muito leve. Não quer dizer com isto que a cerveja não tenha qualidade, no fundo é o facto de ser um produto diferente do que eles estão acostumados.
Achei interessante partilhar isto convosco, para que também saibam o que os outros pensam da nossa cerveja.
No fundo eu acho que vai tudo de um hábito. Dependendo de país para país, de região para região, as pessoas estão acostumadas a beber um tipo de cerveja, e por isso é natural que notem estas diferenças. Eu quando bebi a Alhambra pela primeira vez também notei muita diferença, áté porque a minha primeira impressão da cerveja espanhola não foi muito boa, mas agora já estou acostumado e até gosto. É tudo uma questão de hábito.


Bom tema emsfc! De facto, comparar à distância é sempre difiícil pelo que, havendo a oportunidade, é sempre bom colocarmos duas cervejas lado a lado e fazer o teste a partir daí. Muitas pessoas não ligam a isso mas nós próprios temos dias em que estamos mais predispostos a beber cerveja pelo que ao avaliarmos uma a seguir à outra estamos a minimizar o risco de estarmos num daqueles dias em que até podia ser uma grande cerveja, mas não estávamos para aí virados.

Por outro lado, isto de se gostar mais da cerveja de um país ou de outro é muito relativo e envolve, muitas das vezes, sentimentos nacionalistas. Tentando-me abstrair disso, o que não é fácil, leva-me a dizer que a cerveja portuguesa não é muito diferente da espanhola. Não é muito diferente mas é melhor! Sem dúvidas! Nuestro hermanos podem dizer o que quiserem e ainda podem estrebuchar um bocadinho mais mas tal é um facto. Basta procurar nos sites internacionais onde se classificam cervejas.

Dito isto, permite-me que te dê um conselho: da próxima vez, em vez de Sagres ou SB, tenta levar uma Tagus. Se nuestros hermanos acharem que ainda têm alguma lager melhor do que esta ou é porque ainda não a provei ou é porque estão a mentir! :)

Abraço,


Levei Sagres e SB porque sempre tive a noção que seriam das melhores cervejas nacionais. Desconhecia que a Tagus fosse assim tão boa. Quando chegar a Portugal vou tratar logo de ver isso.
Eles aqui não me disseram que a cerveja espanhola é melhor que a portuguesa. Disseram-me apenas que é uma questão de hábito. Como estão habituados à cerveja com mais amargo, estranharam a cerveja portuguesa. E acredita que a diferença é muita, porque eu provei as duas cervejas e nota-se bem a diferença no que se refere ao margo. Mas muito amargo não é sinónimo de melhor qualidade, por isso...


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Mensagempor bmxutos » segunda mai 07, 2007 0:21

A companhia para esta noite no campo cervejeiro ficou a cargo duma Queue de Charrue Brune. Pois, uma Flemish Sour Ale, um estilo com o qual nunca me dei muito bem... Curiosamente, as cervejas deste tipo encontram-se sempre muito bem classificadas em rankings generalistas, pelo que assumo que a falha deva ser minha.

Era portanto com algum receio e diria mesmo relutância que partia para mais uma prova deste estilo. Felizmente, a companhia que a produz dá algumas garantias. De facto, a Verhaeghe é uma especialista em Lambics e Flemish Sour Ales, como são exemplos a Vichtenaar ou a Duchesse de Bourgogne.

Esta Queue de Charrue Brune veio numa garrafa de 25cl, castanha, com o rótulo em tons de azul e algum vermelho. O destaque vai para uma charrua vermelha mesmo no centro do rótulo. 5,4% Vol. Alc. À falta de melhor, servi num copo tulipa e esteve 10 minutinhos fora do frigorífico antes da abrir, já que o meu frigo tem a tendência de gelar as coisas em demasia...

De cor vermelho escuro, com reflexos castanhos, apresentou espuma média, beige, efervescente e com baixa retenção. Líquido límpido, diria mesmo cristalino (filtrado?) e pouca carbonatação.

O aroma é bastante agressivo, áspero, quase azedo. Notas de frutas (cerejas e frutos silvestres), madeira e um balancear entre vinagre balsâmico e vinho. O primeiro contacto é quase um choque dado o carácter pouco domado do aroma, mas os frutos acabam por ganhar preponderância e no final fica-se com aquela sensação de "bitter/sweet".

O sabor acompanha a decrição do aroma, mas neste caso é mais seco e menos doce. Novamente presença de frutos, essencialmente cerejas, um toque de vinagre e um final a lembrar vinho tinto. É uma cerveja com um final prolongado e que apesar das características frutadas parece-me ser excelente para matar a sede, dado ser muito seca e o ponto entre o doce e o azedo estar perfeitamente equilibrado. É claro que seria um desperdício utilizar esta cerveja simplesmente para matar a sede mas digo isto apenas para que se perceba o carácter algo leve desta cerveja. De facto, não é tão complexa como a Duchessse de Bourgogne ou a Rodenbach pelo que acaba por ser um bom ponto de partida para quem se quiser iniciar nas Flemish Sour Ales, um estilo definitivamente complicado...

Aparência: 6/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 7/10

Total: 6,25/10

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Mensagempor bmxutos » segunda mai 07, 2007 1:20

Bom, nem tinha visto que já tinhamos chegado ao post 2000! Apesar das "paragens" que o fórum vai tendo, parece-me que não é um valor mau para quem ainda não completou 1 ano. O meu obrigado a todos os que contribuiram para esta marca.

Vou aproveitar que estou com um pouco de tempo para colocar online algumas das notas de prova que tenho espalhadas pelos meus caderninhos. Desta vez vamos à The 4 Elements, uma cerveja que comprei na recente feira do El Corte ingles.

Garrafa de 33cl, branca (transparente), rótulo branco, simples mas característico, talvez com o objectivo de fazer lembrar a pureza. O contra-rótulo define esta cerveja como uma "organic Premium Lager", produzida respeitando a Lei Alemã da Pureza de 1516 e que, por isso, só aceita na sua composição água, lúpulo, malte e levedura. Para além do mais, é elaborada segundo uma receita secreta que data de 1543!

Produzida pela Dupetit, uma companhia que desconhecia, esta Pale Lager é certificada pela UE e pela Agreco, instituição alemã encarregue de verificar os bens produzidos seguindo os critérios da agricultura biológica, pelo que apresenta o selo Bio.

Em caso de quererem mais informações, o endereço do site é:

http://www.the4elements.info/english/intro.htm

A The 4 Elements é uma cerveja amarelo pálido, não muito límpida, acompanhada por uma espuma branca, média e pouco consistente. Apresentou boa vivacidade no copo e ao longo de toda a prova.

O aroma tem o carácter distinto do lúpulo, secundado por notas herbais e a cereais que, de certo modo, quase me fizeram lembrar o típico aroma das sem-álcool.

O sabor é extremamente aguado, com pouca presença e uma grande falta de amargo que, aliás, apenas aparece no final, tornando-o seco e minimamente agradável. Nada mais há a acrescentar. Foge um pouco ao conceito que existe de macro-lager internacional , mas é por pouco...

Aparência: 4/10
Aroma: 4/10
Sabor: 4/10
Palato: 5/10

Total: 4,25/10

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Mensagempor bmxutos » domingo mai 13, 2007 19:44

Caríssimos,

por vezes, a falta de motivação leva-nos, em certos aspectos, a fazermos coisas que julgaríamos improváveis. Tal aplica-se em todos os campos e a área cervejeira não é excepção. Foi assim que dei comigo a beber uma Holsten Strawberry.

Produzida pela alemã Holsten Brauerei, uma empresa do universo Carlsberg, esta cerveja tem um sem número de tiques que afastariam qualquer pessoa que procurasse um produto de qualidade. Senão vejamos: sem álcool, garrafa verde, carica "twist off", adição de sabor natural idêntico a morango, adição de vitaminas (D, B6, B12), etc, etc.

A garrafa de 33cl vem acompanhada de um rótulo em tons de vermelho, com a marca Holsten em destaque assim como de uns formosos morangos. Pelo menos a carica é engraçada. Curiosamente, em grande parte do rótulo e contra-rótulo a informação é escrita em arábico. Presumo que tal se deva ao facto de ser uma cerveja sem álcool e, como tal, passível de ser consumida pelos muçulmanos.

Servi bem fria, num copo tipo flute. Apresentou cor amarelo-pálido com tonalidades alaranjadas. Espuma minimalista, branca e efémera.

O aroma é muito similar ao de uma gelatina de morango, extremamente doce e algo artificial. Aliás, o morango não permite que se sinta quaisquer outros aromas, pelo que parece que estamos a beber um sumo de morango com gás, por sinal agradável já que, ao contrário do que por vezes acontece, o aroma/sabor não transmite aquela sensação de remédio.

O sabor é novamente a morango, tipo gelatina líquida!!! Se me abstrair que estou a beber uma cerveja, até podia admitir que se tratava de um sumo razoável, ao género de um Sumol laranja ou ananás. Nesse segmento, acredito que poderia ter algum sucesso. O problema é que a Holsten é vendida como uma cerveja e, nesse campo, não poderia estar mais afastada do conceito. Muito doce, muito sumo, pouca cerveja. Quem já bebeu a SB sem álcool sabor a pêssego sabe do que é que eu estou a falar...

Aparência: 3/10
Aroma: 3/10
Sabor: 4/10 (como sumo seria um 6/10; dei-lhe mais um ponto pois a minha namorada gostou... :P )
Palato:3/10

Total: 3,25/10

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bmxutos
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Mensagempor bmxutos » segunda mai 14, 2007 0:50

Boas! Para tirar o sabor da Holsten, fui buscar um queijinho e, para acompanhar, uma weiss que já tinha comprado há algum tempo no ECI: a Weizenland Weissbier Hefetrub.

0,5l de weiss para afogar as mágoas! Produzida pela Kaseirdom, empresa alemã que é mais conhecida pelas Burgebrau Bamberg, apresentou-se numa garrafa castanha, com rótulo engraçado, com um desenho de um campo a ser ceifado e carica a condizer (perguntaram-me porque motivo coloco esta informação: como as fotos nem sempre são de grande qualidade, gosto de deixar algo que possibilite a identificação rápida da cerveja caso a vejamos numa prateleira de um supermercado e se, por acaso, não nos lembramos do nome, para além de servir de indicador para possíveis coleccionadores. De facto, se a carica é toda vermelha ou preta, sem qualquer inscrição, não terá qq valor para um coleccionador. Não é o caso desta da Weizenland).

Contra-rótulo pouco informativo. Apenas os ingredientes (água, malte, lúpulo e levedura), prazo para consumo e teor alcoólico: 5,3%.

Logicamente, foi servida num copo para weizens, tendo apresentado cor amarelo-claro, turva, bonita espuma branca, persistente e cremosa.

O aroma é dominado por citrinos e pela levedura típica destas cervejas.

O sabor é característico de uma Hefe, com presença de frutos (banana e citrinos), um pouco de cereais (trigo) e ácido láctico. No geral, tende a ser mais para o doce o que a pode tornar "cansativa". De corpo leve e final curto, tem boa carbonatação o que a torna facilmente bebível e agradável. No entanto, falta-lhe qualquer coisa para ser uma boa Hefe. Fica-se pelo razoável.

Aparência: 7/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 5/10

Total: 6/10

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Mensagempor VicMaP » quinta mai 17, 2007 18:06

bmxutos Escreveu:Boas! Para tirar o sabor da Holsten, fui buscar um queijinho e, para acompanhar, uma weiss que já tinha comprado há algum tempo no ECI: a Weizenland Weissbier Hefetrub.

0,5l de weiss para afogar as mágoas! Produzida pela Kaseirdom, empresa alemã que é mais conhecida pelas Burgebrau Bamberg, apresentou-se numa garrafa castanha, com rótulo engraçado, com um desenho de um campo a ser ceifado e carica a condizer (perguntaram-me porque motivo coloco esta informação: como as fotos nem sempre são de grande qualidade, gosto de deixar algo que possibilite a identificação rápida da cerveja caso a vejamos numa prateleira de um supermercado e se, por acaso, não nos lembramos do nome, para além de servir de indicador para possíveis coleccionadores. De facto, se a carica é toda vermelha ou preta, sem qualquer inscrição, não terá qq valor para um coleccionador. Não é o caso desta da Weizenland).

Contra-rótulo pouco informativo. Apenas os ingredientes (água, malte, lúpulo e levedura), prazo para consumo e teor alcoólico: 5,3%.

Logicamente, foi servida num copo para weizens, tendo apresentado cor amarelo-claro, turva, bonita espuma branca, persistente e cremosa.

O aroma é dominado por citrinos e pela levedura típica destas cervejas.

O sabor é característico de uma Hefe, com presença de frutos (banana e citrinos), um pouco de cereais (trigo) e ácido láctico. No geral, tende a ser mais para o doce o que a pode tornar "cansativa". De corpo leve e final curto, tem boa carbonatação o que a torna facilmente bebível e agradável. No entanto, falta-lhe qualquer coisa para ser uma boa Hefe. Fica-se pelo razoável.

Aparência: 7/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 5/10

Total: 6/10

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Boa! Estas são as que conheço menos. Interessa-me bastante a apreciação sobre elas, até porque estando aí o Verão, acho quue estas são as mais indicadas para a altura, e eu quero decidir o que beber com antecedência! :D


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Mensagempor bmxutos » sexta mai 18, 2007 0:08

VicMaP Escreveu:
Boa! Estas são as que conheço menos. Interessa-me bastante a apreciação sobre elas, até porque estando aí o Verão, acho quue estas são as mais indicadas para a altura, e eu quero decidir o que beber com antecedência! :D


Caro Vic,

o ECI costuma ter uma boa selecção de cervejas alemãs, em especial de weizens. Portanto, com uma ida lá parece-me que ficas bem servido! Era bom que noutras áreas, como lambics e stouts houvesse a mesma variedade... Mas bom, como já várias vezes comentámos, este supermercado é um oásis no panorama cervejeiro português logo, louve-se o que existe.

Por acaso tenho bebido umas boas weizens. A ver se passo a minha opinião do formato papel para o formato online. Abraço,


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Mensagempor bmxutos » sexta mai 18, 2007 0:37

'Bora lá então à Murphy's Irish Red. É uma cerveja que não é de todo desconhecida, já que em certos locais, especialmente bares irlandeses, é possível bebê-la à pressão. Esta foi a primeira vez que a bebi de garrafa e não fiquei fortemente impressionado, antes pelo contrário.

Verdade seja dita, também nunca apreciei muito a Murphy's de pressão. No entanto, num bar irlandês, com música típica e aquela envolvência engraçada até uma cerveja banal ganha um certo destaque. Já em casa, o prazer advém directamente da qualidade de uma cerveja e das sensações que esta nos transmite.

Ora, a Murphy's não me transmitiu grande coisa. Garrafa de 33cl em formato peculiar, rótulo sóbrio e com a marca em destaque. 5% vol. alc. Servi num copo tipo half pint. A versão que bebi foi produzida na Holanda pela Heineken, sob licença da Murphy Brewery Ireland Limited.

É curioso que aquilo que acaba por mais me atrair nestas Red Ales é mesmo a cor! Aliás, todo o aspecto! Cor âmbar, quase vermelha, com uma magnífica espuma a coroar o conjunto, extremamente cremosa e duradoura, que vai deixando um bonito laço ao longo da prova. Boa e suficiente vivacidade.

A partir daqui toda a beleza se começa a desvanecer. O aroma é fraco, sem nenhum elemento em particular que possa e deva destacar. Mauzinho, portanto.

Em termos de sabor não melhoramos grande coisa. Notas de caramelo e malte mas é uma cerveja muito leve, sem grande carácter. Gostava de poder dizer mais mas é-me de todo impossível. Apesar do ambiente, posso afiançar-vos que existe uma grande diferença entre esta Murphy's e todas aquelas que bebi em bares irlandeses. Em prejuízo das de garrafa, obviamente!

Não posso dizer que tenha sido uma decepção pois não sou um grande apologista das Irish Red. Mas esta revelou-se particularmente fraquinha. Salvou-se o aspecto. Mas para fazer uma boa cerveja, é preciso algo mais do que isso... Dei mais um ponto no aroma e sabor por me lembrar que a Murphy's de pressão é consideravelmente melhor

Aparência: 8/10
Aroma: 4/10
Sabor: 5/10
Palato: 4/10

Total: 5,25/10

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Mensagempor Rasec » sexta mai 18, 2007 16:33

Como alguns de vocês sabem tive a oportunidade de desenvolver uma Irish Red Ale como deve de ser.

No decurso desse projecto provei algumas ales disponíveis no mercado, como a Kilkenny (pressão), a Smithwicks (lata) e claro, a Murphys (garrafa). Posso dizer-vos que inicialmente fiquei muito desiludido e pensei que todas as IRAs eram assim, sensaboronas, ruivas vistosas mas sem conteúdo, e como tal parti para o meu projecto com vontade de fazer algo melhor que aquilo.

A verdade é que a IRA que produzi era tremendamente melhor que qualquer uma das que provei, aliava o aspecto a uma cerveja cheia, com aroma a fruta madura intensa e algum chocolate, com corpo e equilibrada, tinha uma espuma fabulosa. Toda a gente adorou.


No entanto, quando vim para a irlanda, tive a oportunidade de conhecer melhor estas cervejas, e todas as IRAs que provei aqui são fabulosas, aliás parecidas com a que desenvolvi (o que não deixa de ser normal pois segui os standards do género), a verdade é que praticamente só bebo IRAs por aqui, e elas são completamente diferentes do que se prova em Portugal... para melhor!


Por isso, se algum dia vierem a Dublin, não deixem de experimentar uma Smithwicks à pressão produzida aqui. Vão notar bem as diferenças!


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Mensagempor VicMaP » sexta mai 18, 2007 16:52

Rasec Escreveu:Como alguns de vocês sabem tive a oportunidade de desenvolver uma Irish Red Ale como deve de ser.

No decurso desse projecto provei algumas ales disponíveis no mercado, como a Kilkenny (pressão), a Smithwicks (lata) e claro, a Murphys (garrafa). Posso dizer-vos que inicialmente fiquei muito desiludido e pensei que todas as IRAs eram assim, sensaboronas, ruivas vistosas mas sem conteúdo, e como tal parti para o meu projecto com vontade de fazer algo melhor que aquilo.

A verdade é que a IRA que produzi era tremendamente melhor que qualquer uma das que provei, aliava o aspecto a uma cerveja cheia, com aroma a fruta madura intensa e algum chocolate, com corpo e equilibrada, tinha uma espuma fabulosa. Toda a gente adorou.


No entanto, quando vim para a irlanda, tive a oportunidade de conhecer melhor estas cervejas, e todas as IRAs que provei aqui são fabulosas, aliás parecidas com a que desenvolvi (o que não deixa de ser normal pois segui os standards do género), a verdade é que praticamente só bebo IRAs por aqui, e elas são completamente diferentes do que se prova em Portugal... para melhor!


Por isso, se algum dia vierem a Dublin, não deixem de experimentar uma Smithwicks à pressão produzida aqui. Vão notar bem as diferenças!

Agora fiquei mesmo curioso (e com vontade de ir a Dublin :D )
Rasec, como se explica então que as que bebemos em garrafa de tão fraca qualidade? Será que as que exportam são menos cuidadas? Deveria ser ao contrário, não é? Deviam querer mostrar que fazem excelentes produtos. Ou será aquele problema que sempre afecta as produções em grandes quantidades?

De qualquer forma, penso que uma mesma cerveja, em garrafa ou em barril, a de barril é sempre um pouco superior.


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Mensagempor Rasec » sexta mai 18, 2007 17:00

Bem, não existe uma única resposta,

- uma cerveja feita sob licença nunca é a mesma coisa que o produto original feita na fábrica original com a água original e equipamento.

- uma cerveja em barril é normalmente sempre melhor que a sua equivalente em garrafa e por sua vez na lata. Tem a ver com fenómenos de oxidação e de protecção do produto. A luz, o calor, a agitação, tudo isso contribui para estragar completamente uma cerveja...

e podem haver outros motivos...


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Mensagempor emsfc » sexta mai 18, 2007 19:45

Rasec Escreveu:Bem, não existe uma única resposta,

- uma cerveja feita sob licença nunca é a mesma coisa que o produto original feita na fábrica original com a água original e equipamento.

- uma cerveja em barril é normalmente sempre melhor que a sua equivalente em garrafa e por sua vez na lata. Tem a ver com fenómenos de oxidação e de protecção do produto. A luz, o calor, a agitação, tudo isso contribui para estragar completamente uma cerveja...

e podem haver outros motivos...


A legislação de cada país para onde é exportada a cerveja, também não poderá ser uma explicação? Digo isto, porque eu tenho a ideia que, à semelhança do que acontece nos vinhos, quando se produz uma cerveja para exportar se tem que ter em atenção a legislação relativa à cerveja do país para onde estamos a exportar o produto, ou seja, se estou a produzir uma cerveja para exportar para o Japão, tenho que ter em conta a legislação deles em relação a teores alcoolicos, extracto, côr, etc... E está claro que a variação destes parâmetros influenciam em muito as características do produto.
Em relação à cerveja de barril, sempre tive a noção de que esta era de menor qualidade que a cerveja de garrafa. Mas desde que comecei a estagiar, reparei que a cerveja de barril é exactamente igual à cerveja de garrafa, variando apenas a quantidade de CO2. Portanto esta diferença de qualidade só se pode dever a fenómenos degradativos que ocorram durante o armazenamento.



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