O que ando a beber...

Comente quais as suas cervejas preferidas, aquelas que menos gosta, as suas qualidades, defeitos e características.
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Mensagempor bmxutos » domingo set 09, 2012 22:13

barbas Escreveu:E finalmente estou de volta a este lado do Atlântico... :D

Afazeres profissionais têm-me levado várias vezes aos Estados Unidos, o que, como sabem, é meio caminho andado para a perdição no mundo da cerveja (WLNL))

Aqui fica uma pequena resenha do que andei a beber pelos lados de Baltimore e Washington DC.

Max's Taphouse (Baltimore)

Fica na zona ribeirinha de Fell's Point onde existem dezenas de bares e restaurantes. É um daqueles bares em que não se pode deixar de ter um sorriso de orelha a orelha assim que se entra: 102 taps, 5 handpumps e cerca de 1000 garrafas. Empregados simpáticos e conhecedores. Comida razoável, mas não foi por isso que lá fui. Vende garrafas para fora a preços razoáveis. Destaques:

- Schmalz/Terrapin Reunion Ale '12 - Dark ale bastante complexa com cacau, baunilha e canela.
- Brewer's Art Resurrection - Um clássico de Baltimore. Dubbel muito bem feita. Passava bem por belga num teste cego.

Of Love & Regret (Baltimore)

Bar novo, muito clean, do Brian Stillwater, o cervejeiro nómada mais famoso da cidade. Ironicamente, fica em frente à antiga National Brewing Co., onde eram fabricadas beberagens parecidas com cerveja como, por exemplo, o famoso malt liquor Colt 45. Lá dentro não há nada disso. 20 taps e julgo que algumas garrafas para vender para fora. Comida de fusão com algumas excentricidades à mistura. Comi umas línguas de pato grelhadas bastante boas. Destaques:

- Stillwater Premium - Cerveja feita com, agarrem-se bem, milho e arroz. Não foram meigos no lúpulo, com o Saaz bem presente, e depois deram-lhe com um cocktail de levedura (brett incluída) que transformou-a numa das cervejas mais refrescantes que já bebi. Deliciosa.
- Uerige Sticke - Fui preciso atravessar o Atlântico para experimentar este clássico. Feita apenas duas vezes por ano, é um alt on steroids com o malte bastante pronunciado. Combinou muito bem com as línguas.

Alewife (Baltimore)

Regresso a esta casa de pecado, líquido e sólido. Está numa vizinhança onde a todo o momento parece que podemos vir a ser roubados, esfaqueados ou pior. Um amigo meu diz que é por causa dessa adrenalina que a cerveja e a comida sabem tão bem. Para mim não há dúvida: é aqui que se faz o melhor hamburguer do mundo. Um colosso feito com carne de vaca fumada e acompanhado com batatas fritas em gordura de pato. Sim, lá se vai o colesterol :? Para acompanhar, basta escolher alguma coisa dos 40 taps ou 100 garrafas. Destaques:

- Boulevard Tank 7 Farmhouse Ale - Chamem-lhe farmhouse, saison ou outra coisa qualquer. Estas cervejas com alguma acidez, frutadas e ligeiramente apimentadas estão a tornar-se rapidamente as minhas preferidas.
- Evolution Lot No. 3 - Uma American IPA muitíssimo equilibrada. Tem uma combinação de pinho (provavelmente Simcoe) e de citrinos que eu adoro, mas não se deixa cair na armadilha, comum nos americanos, da falta de malte para equilibrar.

ChurchKey (Washington DC)

Bar muito simpático, numa vizinhança a condizer, longe das atrações turísticas da capital. Excelente decoração. Foi a primeira vez que me pediram identificação para ver se tinha idade para beber. Ah, as leis americanas... Tem como bónus estar perto de um Whole Foods Market que têm uma variedade bastante boa de garrafas. 50 taps, 5 handpumps e 500 garrafas. Destaques:

Stone 16th Anniversary IPA - Mais outra Stone com quantidades de lúpulo inimagináveis. O centeio dá-lhe nuances de especiarias e uma frescura pouco habitual numa cerveja com 10º.
Great Lakes Edmund Fitzgerald Porter - Talvez a melhor cerveja escura que bebi nesta incursão americana, a par da Southern Tier Crème Brûlée. Muito café no sabor e final achocolatado.

Jet Rock Bar & Grill (Philadelphia)

Lembro-me da primeira vez que fui aos Estados Unidos, há mais de 10 anos, e da emoção que foi ver uma Samuel Adams Brewhouse no aeroporto de Newark. No final de contas o bar só tinha 2 ou 3 cervejas diferentes e nenhuma delas era nada de extraordinário... Foi aí que perdi a esperança de beber boa cerveja nos aeroportos, até encontrar este bar. 48 taps num aeroporto? Sim, é caro como tudo, mas sempre ajuda-nos a passar o tempo enquanto se espera. Destaques:

- Long Trail Brewmaster Series Imperial Pumpkin - Está na época delas (e das Märzen). Talvez tenha sido a melhor Pumpkin que já bebi até hoje. Tem tudo no lugar: abóbora, canela, cravinho e sabe Deus o que mais...
- Sierra Nevada Northern Hemisphere Harvest Wet - É também época da colheita do lúpulo e esta IPA faz jus ao nome. Muiiiittoo aromática e, surpreendentemente, com um malte bastante presente.

Abraço

Fernando


Nem vou comentar... :mrgreen:

Aliás, apenas um ligeiro apontamento: também adorei a Southern Tier Crème Brûlée e uma das minhas Pumpkin preferidas é também da Southern Tier.

Mas para hoje, a bem agradável O’Haras Irish Pale Ale.

Abraços,


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Mensagempor barbas » segunda set 10, 2012 23:07

Experiências variadas desde o fim de semana:

Kuhnhenn Fourth Dementia - Uma old ale massiva com os seus 13,5º. Tenho de comprar outra e reservar para a lareira a acompanhar um charuto :D

Extraomnes Straff - Não sei que raio é que os italianos andam a pôr nas cervejas. Depois da del Borgo My Antonia, mais uma com um final esquisito, a lembrar casca de cereal. Ainda assim, uma saison decente.

Valeir Extra - A minha companhia para hoje. E que grande companhia!!! Uma Belgian IPA delicadíssima no lúpulo e com uma levedura que lhe dá uma complexidade extraordinária

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Abraço

Fernando


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Mensagempor barbas » sexta set 14, 2012 21:07

Início de fim de semana com um cocktail de lúpulo (Columbus, Centennial, Nelson Sauvin, Citra e Simcoe) cortesia do sr. Mikkel:

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Começamos bem :D

Abraço

Fernando


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Mensagempor KaYs3r » sábado set 15, 2012 23:30

Provei hoje uma Grimbergen Optimo Bruno, muito boa, gostava de saber descrever melhor mas não sei, só sei que era muito boa :-)


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Mensagempor bmxutos » domingo set 16, 2012 22:27

KaYs3r Escreveu:Provei hoje uma Grimbergen Optimo Bruno, muito boa, gostava de saber descrever melhor mas não sei, só sei que era muito boa :-)


É provavelmente a melhor da Grimbergen. Óptima cerveja!


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Mensagempor bmxutos » domingo set 16, 2012 22:30

E para hoje:

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Mensagempor KaYs3r » domingo set 16, 2012 23:18

Essa espuma tem muito bom aspeto :-)


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Mensagempor nogueiraf » segunda set 17, 2012 13:51

Ora ca vai mais uma:

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ora bem cerveja bastante clara, com pouca carbonação, e tem sabor a citrinos que se prolonga na boca.


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Mensagempor tom_po » segunda set 17, 2012 17:40

nogueiraf Escreveu:
ora bem cerveja bastante clara, com pouca carbonação, e tem sabor a citrinos que se prolonga na boca.


O aspecto da cerveja não é grande coisa...parece morto...


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Mensagempor nogueiraf » segunda set 17, 2012 18:04

tom_po Escreveu:
nogueiraf Escreveu:
ora bem cerveja bastante clara, com pouca carbonação, e tem sabor a citrinos que se prolonga na boca.


O aspecto da cerveja não é grande coisa...parece morto...


é verdade, também pode ser de a ter bebido muito em cima do engarrafamento, tenho lá mais umas garrafas e vou dar mais algum tempo a ver se melhora.


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Mensagempor bmxutos » segunda set 17, 2012 22:22

Blackfriar Scottish Ale

Elaborada pela escocesa Inveralmond, empresa cujas raízes remontam "apenas" a 1997, é uma cerveja sólida, com 7% ABV, suportada numa boa base de malte que lhe transmite notas licorosas e a caramelo.

Cor âmbar, espuma pequena com baixa retenção. Carbonatação suave. Daria uma excelente Winter Warmer se tivesse um pouco mais de corpo. O doce talvez seja um pouco excessivo para alguns.

Aparência: 6/10
Aroma: 6/10
Sabor: 7/10
Palato: 6/10

Total: 6,25/10

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Mensagempor bmxutos » segunda set 17, 2012 22:46

Southern Tier Gemini

Uma bomba de lúpulo, esta Gemini. Resulta da mistura entre a já de si forte mas excelente Unearthly e a Hoppe, uma Imperial Extra Pale Ale que nunca experimentei. Eis a lista de lúpulos utilizados: "Kettle hops: columbus, chinook, cascade; aroma hops: amarillo; hop back: styrian goldings; dry hops: amarillo, cascade, centenial, chinook & columbus".

Bom, é uma cerveja a tender para o lado do... lúpulo, pois. No aroma notas a pimenta, resina, lúpulo... muito. No sabor o lúpulo já não é tão resinoso, mas sim mais cítrico e floral. A Gemini nunca se desequilibra, fruto do bom apoio do malte, ainda que este pareça não estar lá. Não se torna desagradavelmente amarga como algumas IIPAs norte-americanas.

Entre esta e a UnEarthly? ... Tenho de voltar a UnEarthly :)

Aparência: 7/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Palato: 8/10

Total: 7,75/10

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Mensagempor nogueiraf » quinta set 20, 2012 13:55

Mais uma Sovina Amber

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Mensagempor HugoG » quinta set 20, 2012 23:33

nogueiraf Escreveu:Mais uma Sovina Amber

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Estou a ver que espuma não é com a Sovina...


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Mensagempor tom_po » sexta set 21, 2012 7:19

É verdade, mas isso para mim é um factor muito importante para uma cerveja em condições.

Eu sei pela própria experiência, que isso não é facil de dominar e precisa ter muita experiência e "Know How" na fase de produção.


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Mensagempor nogueiraf » sexta set 21, 2012 11:01

HugoG Escreveu:Estou a ver que espuma não é com a Sovina...


É verdade quer esta quer a Helles tinham pouca espuma ao contrario da Stout que tinha bastante e cremosa.
Penso que o maior problema seja que ambas comprei e bebi na semana em que foram engarrafadas, pode ser isso a causa da pouca espuma (penso eu de que) :roll:


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Mensagempor barbas » sexta set 21, 2012 22:45

O adeus ao Verão com uma bela Kölsch:

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Abraço

Fernando


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Mensagempor barbas » sábado set 22, 2012 22:45

Era impossível o início do Outono ser melhor. Absolutamente perfeita:

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Abraço

Fernando


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Mensagempor KaYs3r » domingo set 23, 2012 0:20

E eu que só tenho Coca-Cola em casa... (Bang)()


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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 8:27

KaYs3r Escreveu:E eu que só tenho Coca-Cola em casa... (Bang)()


Tens de começar a fazer umas aquisições também nessa área... :)

Abraço,
Última edição por bmxutos em domingo set 23, 2012 9:02, editado 1 vez no total.


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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 9:00

Bananatana

Bananatana... nome convidativo para uma cerveja, ou nem por isso? :)

Da microcervejaria holandesa De 3 Horne, trata-se de uma Fruit Beer elaborada com passas e banana e tem um teor alcoólico pouco comum em cervejas deste tipo: 7% ABV.

Cerveja ligeiramente turva, como é expectável sempre que se mete trigo à mistura, de cor laranja claro e espuma volumosa mas com média retenção. Carbonatação elevadíssima inicialmente, com gushing. Bastante resíduo no fundo da garrafa e alguma floculação.

No aroma nota-se a levedura e ésteres, como banana, cravo e baunilha. O sabor a banana é curiosamente ténue, havendo uma acidez permanente, não tão vincada como numa Lambic, que conduz a um final seco e ligeiramente metálico.

Trata-se de uma cerveja no mínimo estranha, à qual não sei bem se gostaria ou não de voltar. Uma coisa é certa: é de uma criação diferente e que sai dos parâmetros da maioria das cervejas que já bebi. Leva-nos a indagar o que estaria o mestre-cervejeiro a pensar quando criou esta cerveja! Por outro lado, é certamente uma cerveja que muda a cada batch e com os anos. Diria que estamos quase na presença de uma Saison Fruit Beer.

Este texto, ainda que antigo, revela-nos pormenores da história e do conceito subjacentes à Bananatana: http://www.bierlijn.co.uk/bananatana.htm

Aparência: 4/10
Aroma: 7/10
Sabor: 5/10
Palato: 6/10

Total: 5,5/10

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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 9:39

Erik de Noorman

Mais uma cerveja holandesa, neste caso da Huisbrouwerij Klein Duimpje. Não deixa de ser curioso a quantidade de cervejas belgas que podemos encontrar, por exemplo, em supermercados ou lojas online e, em sentido contrário, excepção feita a, outro exemplo, Heineken, Grolsch e La Trappe, a escassez de cervejas da Holanda. Algo que não se percebe muito bem, dada a excelente qualidade de muitas produções deste país.

A Erik de Noorman é uma Belgian Strong Ale podereosa e competente, com os seus 9% (em algums versões 9,5%) ABV.

Cerveja de cor laranja escuro, espuma com pouco volume e diminuta retenção. Bonito laço belga. O aroma é frutado e ligeiramente floral, com notas a caramelo e um forte assomo final do álcool. O sabor é inicialmente doce, também com notas frutadas e notória presença de lúpulo tipo Saaz, que conduz a um final seco, com um amargor subtil e remanescências de coentros. Corpo médio e baixa carbonatação.

É uma cerveja sólida, bastante bem balanceada, que consegue esconder com destreza a quantidade de álcool presente.

Aparência: 6/10
Aroma: 7/10
Sabor: 7/10
Palato: 6/10

Total: 6,5/10

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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 10:12

Wells Banana Bread Beer

A Banana Bread é já um clássico da Wells apesar de ser algo incomum encontrá-la on tap nos pubs britânicos. A questão que muitas vezes se coloca é a de que tipo de cerveja estamos a falar. Será uma Fruit Beer? Muito dificilmente. Uma Bitter? Partilha com este estilo algumas características, nomeadamente o poder passar por uma session beer, mas ainda assim não encaixa bem nos parâmetros usualmente definidos para Bitters. Aliás, diria mesmo que é uma cerveja que não convence os fãs de Fruit Beers ou coisas com banana, nem atrai os clássicos devoradores de cerveja dos bares ingleses. Fica ali no meio, sem ser carne ou peixe.

Apresentou cor cobre e uma espuma branca que colapsou rapidamente. Baixa carbonatação e corpo leve a médio.

Aroma doce, maltado, com boas notas da banana. Os receios desta ser omnipresente e excessiva são infundados, até porque no sabor a presença da banana é quase... psicológica. Sabemos que ela está lá mas muito dificilmente a sentimos. Mais uma vez o malte domina no sabor, transmitindo notas doces agradáveis. O lúpulo é praticamente imperceptível.

Mais uma cerveja que comprova que alguns frutos, nomeadamente a banana, não são incompatíveis com cerveja. Neste caso a combinação acaba por ser feliz dada a companhia ter optado por uma abordagem leve à inclusão da banana.

Aparência: 4/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 6/10

Total: 5,5/10

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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 10:37

Mongozo Coconut

Antes de começar a bater permitam-me algumas palavras elogiosas para esta cerveja. É uma cerveja de baixo teor alcoólico (3,5% ABV) indicada para quem vá conduzir ou não goste de consumir bebidas alcoólicas; os ingredientes utilizados são provenientes de "comércio justo"; o grão base é a quinoa, um cereal originário da América do Sul e que é tolerado pelos celíacos; a aparência, marketing e conceito subjacentes à gama Mongozo é bastante feliz e tornou a marca, em poucos anos, num caso de sucesso.

Dito isto vamos à cerveja. O coco não é daquelas coisas que com facilidade associemos à cerveja. Mas banana também não e não é por isso que temos exemplares menos conseguidos (vide Bananatana ou Banana Bread). Com o coco passa-se o mesmo. Ainda tenho na memória a excelente Maui Coconut Porter. Mas quanto à Mongozo...

Cerveja de cor amarelo, turva, boa formação de uma espuma branca com média retenção e que deixa no copo um pouco denso mas ainda assim existente laço belga.

E depois... coconut all over the place! O aroma é só coco, bastante artificial, a fazer lembrar aquelas velas perfumadas. Presença igualmente de vanilina. Sabor doce, novamente a dicotomia coco/baunillha. Zero amargor. Pouca carbonatação.

Na verdade o coco torna-se mais ostensivo no aroma do que no sabor, mas falta muitas outras coisas para equilibrar esta cerveja. Por exemplo, tentem harmonizar esta cerveja com algo... Não obstante, não devemos descartar desde logo a gama Mongozo. Se tiverem curiosidade comecem por experimentar a Palmnut ou a Quinua. Não são cervejas excepcionais mas bebem-se perfeitamente.

Aparência: 5/10
Aroma: 2/10
Sabor: 3/10
Palato: 3/10

Total: 3,25/10

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Mensagempor bmxutos » domingo set 23, 2012 10:59

Belli Bock Helles Starkbier

Cerveja alemã da Aktienbrauerei Kaufbeuren, do estilo Maibock, um daqueles que, em geral, não me convence (faça-se no entanto jus à Ayinger).

De cor dourada, espuma branca com média formação e exepcional retenção. Aroma a pão, cereal, algum malte. Sabor a malte, caramelo, quase nenhum lúpulo, o que resulta num final ligeiramente enjoativo. Tem portanto uma drinkability baixa, ou seja, a vontade de beber uma outra logo de seguida não é grande.

Percebe-se que é uma cerveja conseguida, perfeitamente dentro do estilo mas, que ainda assim, não me atrai. Tem a ver com o estilo e com a visão que tenho dele, pelo que faço uma avaliação mais à BJCP e menos subjectiva do que o habitual.

Aparência: 7/10
Aroma: 6/10
Sabor: 6/10
Palato: 6/10

Total: 6,25/10


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Mensagempor barbas » domingo set 23, 2012 21:30

E para fechar o fim de semana uma De Graal Tripel. Sem ser excepcional, é um bom exemplo do estilo.

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Abraço

Fernando


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Re: O que ando a beber...

Mensagempor bmxutos » quarta set 26, 2012 21:13

A companhia de hoje, uma belga em todos os aspectos:

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Re: O que ando a beber...

Mensagempor barbas » sexta set 28, 2012 23:46

E começou o fim de semana :D

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Abraço

Fernando


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Re: O que ando a beber...

Mensagempor bmxutos » domingo set 30, 2012 19:20

Dugges Bollox!

India Pale Ale da sueca Dugges, com 7,8% ABV. É uma IPA ao estilo americano, como o são a maioria das IPAs que surgem no mercado actual.

Apresentou cor âmbar, acompanhada por uma bonita espuma branca, com boa formação e média retenção.

O aroma é muito lupulado, a pinheiro/resina, citrinos, que evolui para uma perceção mais floral. Parece que só utilizaram Centennial, o que significa que a quantidade utilizada deve ter sido bastante apreciável. O sabor é bem agradável, forte e marcante, muito se assemelhando a uma DIPA. A prova inicial é a pinheiro e citrinos, seguindo-se um bom suporte do malte, com notas a biscoito, conduzindo a um final com bom amargor e não excessivamente doce, como acontece a algumas DIPAs. Ah, é verdade, a Bollox! é uma IPA...

Ainda assim não é uma cerveja muito encorpada e tem boa drinkability. No fundo é uma boa IPA, ainda que não de características ultra excepcionais.

Aparência: 7/10
Aroma: 8/10
Sabor: 7/10
Palato: 7/10

Total: 7,25/10

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Re: O que ando a beber...

Mensagempor bmxutos » domingo set 30, 2012 19:48

Guineu Montserrat

Se até há cerca de dois anos as cervejas artesanais provenientes de Espanha eram de qualidade algo duvidosa, hoje já temos exemplares excepcionais e dos estilos mais diversificados. Todavia, no meio do aborrecimento e de algumas cervejas muito erradas do passado, uma marca havia que se destacava no seio das artesanais espanholas: a Guineu, em especial a sua IPA de baixo teor alcoólico, a Riner. Não obstante a qualidade muito acima da média da Riner, a verdade é que as outras cervejas da marca até eram bastante aceitáveis. É o caso da sua Stout, a Montserrat.

Trata-se de uma Stout agradável, fácil de beber, sem um carácter excessivamente marcado a cereal torrado, o que lhe transmite uma acidez e amargor finais ligeiros ainda que perceptíveis. Ao servir parece uma coca-cola, ligeiramente mais escura e com uma espuma creme mais duradoura.

No aroma o destaque vai para o cereal torrado e açúcares caramelizados. Já no sabor as notas predominantes são café e melaço. Como referi é uma cerveja fácil de beber, de corpo médio a leve, que fica na gama mais baixa das Stout, quase a tender para uma Porter (isto se optarmos pela visão clássica destes dois estilos, que apontava para a Stout ser uma versão mais forte duma Porter - o Ron Pattinson tem um bom texto sobre o assunto). All in all, foi uma boa surpresa.

Aparência: 6/10
Aroma: 6/10
Sabor: 7/10
Palato: 7/10

Total: 6,5/10

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